Astrônomos encontram açúcar em abundância fora do Sistema Solar
Astrônomos identificaram, pela primeira vez, um açúcar no espaço interestelar. A descoberta foi publicada na revista científica Nature Astronomy e envolve a eritrulose, um açúcar composto por quatro átomos de carbono, localizado em uma nuvem molecular a cerca de 26 mil anos-luz da Terra.
A eritrulose pertence à mesma família de açúcares essenciais para a vida, responsáveis por fornecer energia às células, formar estruturas biológicas e integrar moléculas relacionadas ao material genético. Segundo os pesquisadores, a substância pode ter se formado na poeira interestelar, ambiente rico em reações químicas que já originaram mais de 340 moléculas identificadas pelos cientistas.
Até agora, açúcares importantes para a vida, como ribose e glicose, haviam sido encontrados apenas em meteoritos. Embora o glicolaldeído já fosse conhecido no espaço, ele não é considerado um açúcar verdadeiro. A identificação da eritrulose representa, portanto, a primeira detecção desse tipo de composto no meio interestelar.
A descoberta foi feita por meio de uma varredura espectral da nuvem molecular G+0,693−0,027, localizada próximo ao centro da Via Láctea. Os pesquisadores utilizaram os radiotelescópios Yebes, na Espanha, e IRAM, na França, e identificaram 12 conjuntos de linhas espectrais compatíveis com a molécula.
Os cientistas afirmam que o principal obstáculo para detectar açúcares no espaço era a dificuldade de analisá-los em laboratório, já que essas moléculas são frágeis e absorvem facilmente a umidade. O problema foi superado com uma técnica de vaporização a laser ultrarrápida.
Além da identificação inédita, a eritrulose foi encontrada em quantidade de oito a 17 vezes maior que a de açúcares menores, resultado considerado inesperado. O achado reforça a hipótese de que moléculas essenciais para o surgimento da vida possam ter se formado no espaço e chegado à Terra por meio de cometas e asteroides.