PAPO DE BOTEQUIM
O português chegou… e o Vitória foi dar as boas-vindas
Carioca não perde a oportunidade. Bastou o Vasco estrear um técnico português e aparecer logo o comentário no botequim.
— Coitado… desembarcou hoje e já descobriu o que é ser vascaíno. O outro respondeu na mesma hora:
— Descobriu nada. O curso intensivo começou foi no Barradão.
A verdade é que o futebol carioca nunca deixa ninguém sofrer sozinho. Quando o Vasco perde, o flamenguista aparece sorrindo. Quando o Flamengo perde, o vascaíno reaparece como quem nunca saiu. Se o Botafogo tropeça, o tricolor distribui piada. Quando o Fluminense vacila, botafoguense e rubro-negro fazem plantão na internet. É uma corrente de solidariedade… ao contrário. O novo treinador português deve ter pensado que pisaria em solo brasileiro e encontraria praia, samba e água de coco. Encontrou foi cobrança, meme e um atacante chamado Renato Kayzer aproveitando uma bobeira da zaga.
Bem-vindo ao futebol brasileiro. Aqui nem o GPS consegue localizar onde foi parar a marcação. Mas ninguém supera o torcedor carioca. No mesmo botequim onde um vascaíno reclamava da derrota, um flamenguista dizia que o Vasco tinha contratado um navegador português para descobrir o caminho das vitórias. O botafoguense respondeu:
— Melhor navegador do que treinador que perde campeonato no mapa.
O tricolor tomou um gole de refrigerante, olhou sério para os três e encerrou a discussão:
— Continuem brigando… daqui a pouco o líder muda de novo e vocês esquecem de zoar.
No Rio é assim. O campeonato muda toda rodada. A resenha, não. Porque antes de existir tabela, classificação ou treinador português… Já existia a mesa do botequim. E nela, meus amigos, todo mundo é campeão.