Rio de Janeiro exonera mais de 6,1 mil servidores comissionados em reestruturação administrativa
Cargas de trabalho e senhas de acesso revelam irregularidades em cortes que projetam economia de R$ 221 milhões
O Governo do Estado do Rio de Janeiro ultrapassou a marca de 6.145 cargos em comissão exonerados em todos os órgãos da administração pública estadual, em uma ampla medida de reestruturação que revelou que a maioria dos desligados sequer possuía senha de acesso para trabalhar nos sistemas oficiais do governo, segundo Octavio Guedes, do G1.Play Video
A dimensão do contingente de exonerados reflete um volume expressivo na estrutura funcional do estado: o total de 6 mil cargos descontinuados equivale, em termos comparativos, ao efetivo de cerca de 12 batalhões da Polícia Militar, considerando unidades com média de 500 policiais cada. Caso a totalidade dos desligados deixasse a administração pública simultaneamente, seriam necessários aproximadamente 120 ônibus lotados para realizar o transporte.
Com o movimento de reordenação administrativa, o saldo entre desligamentos e novas admissões registrou um impacto direto na folha de pagamento. Foram contabilizadas 6.145 exonerações contra 2.496 novas contratações, resultando em um saldo líquido de mais de 3,6 mil postos de trabalho vagos. A medida projeta uma economia financeira aos cofres públicos da ordem de R$ 221 milhões até dezembro de 2026, cálculo que considera exclusivamente os cargos que permanecerem sem preenchimento.
Além dos desligamentos e do contingenciamento de gastos, a mudança estrutural estabeleceu novos critérios técnicos para a ocupação de cargos comissionados na gestão pública. Desde o mês de março, as nomeações para posições de primeiro escalão passaram a priorizar e ser compostas, em sua maioria, por servidores de carreira. Como etapa obrigatória de controle e integridade, os nomes indicados para cargos comissionados em todos os níveis hierárquicos passam por uma avaliação criteriosa do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).