Haddad e Tarcísio fazem primeiro debate em São Paulo
Segurança, Sabesp e pedágios estarão no centro do confronto entre os dois principais candidatos
A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes terá neste domingo (9) seu primeiro embate direto entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Marcado para as 20h, o debate promovido pelo Grupo Bandeirantes deverá colocar frente a frente estratégias distintas para a eleição paulista.Play Video
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, integrantes das duas campanhas trabalham com a perspectiva de um confronto com características de segundo turno. Tarcísio lidera as pesquisas de intenção de voto citadas, enquanto os dois aparecem como os únicos candidatos competitivos nas sondagens.
A estratégia do governador será defender o legado de sua administração e apresentar as principais entregas realizadas ao longo do mandato. Haddad, por sua vez, prepara uma ofensiva concentrada em segurança pública, privatização da Sabesp, pedágios free flow e relação do governo estadual com os municípios.
O petista também deverá defender o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tentar vincular Tarcísio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um movimento para levar a polarização nacional para a disputa paulista.
Tarcísio aposta no legado da gestão
Aliados de Tarcísio esperam que Haddad adote uma postura mais ofensiva do que nos debates do primeiro turno da eleição de 2022. Naquela disputa, os dois candidatos chegaram a concentrar ataques contra o então governador Rodrigo Garcia (PSDB).
O cenário agora é diferente. A vantagem atribuída a Tarcísio pelas pesquisas e a possibilidade de uma vitória no primeiro turno levam integrantes da campanha do governador a projetar uma atuação mais agressiva do petista.
A avaliação entre aliados do governador é que Haddad já demonstrou essa estratégia durante a pré-campanha, ao concentrar esforços nas críticas ao governo paulista.
Tarcísio pretende seguir caminho diferente: defender os resultados de sua administração e procurar manter a discussão no terreno estadual.
Se Haddad levar o confronto para a política nacional, porém, a campanha do governador pretende responder explorando a passagem do adversário pelo Ministério da Fazenda.
Entre os assuntos que poderão ser utilizados estão os juros elevados e o crescimento do endividamento no país. A campanha também poderá explorar o apelido de “Taxad”, utilizado por adversários políticos para atacar Haddad em razão da política tributária.
Sabesp é ponto sensível para o governador
Entre os temas estaduais, aliados de Tarcísio reconhecem que a privatização da Sabesp poderá representar um dos momentos mais delicados do debate.
A avaliação dos estrategistas do governador é que se trata de um assunto complexo, marcado por divergências ideológicas e difícil de ser explicado detalhadamente dentro dos limites de tempo de um confronto televisivo.
Haddad pretende justamente explorar esse flanco.
A campanha petista planeja questionar Tarcísio sobre reclamações relacionadas ao valor das contas, problemas de abastecimento e demissões registradas após a transferência do controle da companhia para a iniciativa privada.
A intenção é apresentar esses episódios como consequência de uma política de privatizações que, na avaliação dos aliados do petista, prioriza o retorno financeiro em detrimento da qualidade dos serviços públicos.
Segurança pública será eixo da ofensiva de Haddad
A segurança pública deverá ocupar posição central na estratégia de Haddad.
Embora o tema seja historicamente associado a uma vantagem eleitoral da direita, integrantes da campanha petista consideram que a percepção de insegurança entre os paulistas abre espaço para questionamentos sobre os resultados da política estadual de combate à criminalidade.
Haddad também deverá explorar a relação entre os governos estadual e federal na área.
A estratégia é argumentar que Tarcísio não conseguiu separar a rivalidade política da necessidade institucional de coordenar ações de segurança pública com a União.
O tema também oferece a Haddad a possibilidade de defender a administração Lula ao mesmo tempo que questiona a atuação do governador paulista.
Pedágios free flow entram na disputa
Outro ponto previsto na ofensiva petista é a expansão dos pedágios no modelo free flow.
A campanha de Haddad pretende relacionar a medida ao aumento dos custos para os motoristas e ao que chama de “indústria de multas”.
O objetivo é atingir especialmente o eleitorado do interior paulista, mais dependente das rodovias estaduais e decisivo para o resultado da eleição.
A estratégia dialoga diretamente com uma das maiores dificuldades eleitorais enfrentadas pelo petista.
No segundo turno de 2022, Haddad venceu em apenas 79 dos 645 municípios paulistas. Tarcísio ficou à frente em 566.
As vitórias do candidato petista ficaram concentradas principalmente na capital e na Região Metropolitana de São Paulo, enquanto Tarcísio obteve ampla vantagem no interior.
Relação com prefeitos vira campo de batalha
A relação do Palácio dos Bandeirantes com os municípios deverá completar a ofensiva de Haddad.
Integrantes da campanha petista pretendem sustentar que prefeitos e moradores do interior foram “abandonados durante os quatro anos de governo”.
A declaração, atribuída à avaliação interna da campanha, será utilizada para tentar reduzir a vantagem construída por Tarcísio fora da Região Metropolitana.
O governador, por outro lado, intensificou suas viagens pelo estado e organizou uma força-tarefa para destravar demandas municipais, em uma tentativa de reforçar os vínculos com as administrações locais.
A disputa pelos municípios assume, assim, importância estratégica para os dois candidatos: Haddad precisa avançar justamente no território em que sofreu sua maior derrota em 2022, enquanto Tarcísio busca preservar uma das bases eleitorais responsáveis por sua chegada ao governo paulista.
Debate terá dois confrontos diretos
O debate deste domingo (9) contará somente com Tarcísio e Haddad. Segundo as regras apresentadas, os demais candidatos não são filiados a partidos com representação no Congresso Nacional.
O programa será dividido em três blocos.
No primeiro, os candidatos terão dois minutos cada para responder à mesma pergunta apresentada pelo mediador. Na sequência, haverá confronto direto, com 20 minutos para cada participante administrar livremente. Tarcísio começará, conforme sorteio.
No segundo bloco, jornalistas da Band farão perguntas aos dois candidatos. As respostas terão dois minutos, enquanto comentários e réplicas poderão durar um minuto. Tarcísio será novamente o primeiro a responder.
O terceiro bloco retomará o confronto direto. Cada candidato terá mais 20 minutos de tempo livre, mas, desta vez, Haddad começará.
Ao final, ambos terão dois minutos para as considerações finais. A ordem definida por sorteio estabelece Tarcísio primeiro e Haddad na sequência.