Tragédia provocada pelo colapso de uma geleira já deixa mais de 330 mortos na região do Himalaia e mobiliza forças de emergência contra o risco de novas enxurradas
Equipes de resgate intensificaram as buscas nesta quinta-feira (27) por mais de 1,3 mil pessoas que permanecem desaparecidas após enchentes catastróficas atingirem a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. A tragédia, que devastou povoados inteiros e infraestruturas locais, já soma um total de 330 mortos.Play Video
O desastre foi deflagrado pelo colapso de uma geleira, gerando uma imponente torrente de água e lama comparável a um tsunami. A violência do impacto atingiu proporções equivalentes a um evento sísmico de magnitude 5,2, segundo medição do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Imagens capturadas por câmeras de vigilância no lado chinês registraram o momento em que uma violenta parede de lama e destroços engoliu um edifício de vários andares na manhã de quarta-feira (26), enquanto dezenas de moradores tentavam fugir. A enxurrada também arrastou veículos de grande porte, como ônibus e carros, com extrema facilidade.
No Nepal, o impacto concentrou-se no vale do rio Trishuli, situado no distrito de Nuwakot, ao norte da capital Katmandu, além do vale do Bhote Koshi, a leste. Balanços oficiais preliminares indicam 177 mortes em território nepalês. Passadas 24 horas do evento, as autoridades do país ainda buscam informações sobre 823 pessoas desaparecidas, das quais 517 são turistas estrangeiros.
De acordo com o Escritório de Turismo do Nepal, a lista de estrangeiros não localizados inclui 178 cidadãos da Índia, 65 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá. O governo da Espanha reportou que quatro de seus nacionais continuam desaparecidos.
Do outro lado da fronteira, no Tibete, a imprensa estatal chinesa informou que o deslizamento de lama no porto de Gyirong causou três mortes e deixou 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros cujas nacionalidades não foram divulgadas.
Repercussão internacional
A crise motivou reações globais e de líderes regionais. Os Estados Unidos anunciaram a destinação de US$ 500 mil em ajuda humanitária emergencial. O presidente da China, Xi Jinping, declarou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas”.
Dalai Lama também se pronunciou nesta quinta-feira, afirmando que reza por todas as vítimas e solicitando “medidas adequadas de assistência”. O líder espiritual vive no exílio desde 1959, após fugir do Tibete devido à repressão de tropas chinesas a uma revolta local.
Fenômenos de inundações e deslizamentos de terra são frequentes na Ásia do Sul durante o período das chuvas de monção, que se estende de junho a setembro. Contudo, a comunidade científica reforça que as mudanças climáticas vêm intensificando a frequência e a gravidade de eventos meteorológicos extremos nessa região montanhosa.