Lula coloca defesa nacional entre prioridades e diz que Brasil precisa proteger suas riquezas e sua soberania

Presidente afirma que investimentos militares geram tecnologia, empregos e autonomia, celebra entrada de mulheres como recrutas e defende Forças Armadas preparadas para a paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (25), durante as celebrações do Dia do Soldado, que os investimentos em defesa nacional devem ser tratados como uma prioridade permanente do Estado brasileiro. Segundo ele, fortalecer as Forças Armadas e a indústria de defesa significa proteger a soberania, as riquezas naturais e o território do país, ao mesmo tempo em que se estimulam ciência, tecnologia, inovação e empregos qualificados.

Durante a cerimônia em Brasília, Lula destacou também a participação inédita de mulheres recrutas do Exército no desfile militar. O presidente afirmou que a presença feminina representa uma transformação importante dentro das Forças Armadas e reforça a ideia de que as mulheres podem ocupar qualquer espaço da sociedade.

Para Lula, a defesa deve ocupar lugar central nas decisões estratégicas do Brasil, especialmente diante de um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, conflitos e crescente competição por recursos naturais e tecnologias.

O presidente ressaltou, no entanto, que fortalecer a capacidade militar brasileira não significa adotar uma política belicista.

“Defesa para a paz”

A visão defendida por Lula é a de que o Brasil precisa estar suficientemente preparado para impedir ameaças ao seu território e às suas riquezas, mas deve manter sua tradição diplomática de busca da paz.

O conceito se conecta à posição adotada pelo Brasil em fóruns internacionais, nos quais o país tem defendido cooperação, multilateralismo e solução pacífica de conflitos.

Em julho deste ano, durante a Conferência dos Ministros de Defesa das Américas, o Brasil participou da assinatura da Declaração de Cusco, que reafirmou o compromisso regional com a paz e a cooperação em matéria de defesa e segurança.

Na avaliação de Lula, um país das dimensões do Brasil, com enorme território terrestre, extensa costa marítima, grandes reservas de água, biodiversidade, minerais estratégicos, petróleo e recursos energéticos, precisa ter capacidade própria de defesa.

Indústria de defesa também significa desenvolvimento

Outro eixo destacado pelo governo Lula é o fortalecimento da Base Industrial de Defesa.

Desde 2023, o governo federal ampliou os investimentos em programas estratégicos destinados à construção de submarinos, navios, aeronaves, sistemas de monitoramento, veículos blindados e outras tecnologias militares.

No lançamento do Novo PAC, o governo anunciou R$ 53 bilhões em investimentos no eixo de Defesa. Os recursos foram direcionados a projetos considerados estratégicos para ampliar a capacidade tecnológica nacional e fortalecer empresas brasileiras do setor.

Para o governo, esses projetos não devem ser vistos apenas sob a ótica militar. Grande parte das tecnologias desenvolvidas para defesa acaba tendo aplicações civis e impactos sobre setores como engenharia, eletrônica, comunicações, inteligência artificial, cibernética, indústria naval e aeroespacial.

Além disso, a cadeia produtiva da defesa gera empregos industriais altamente qualificados e pode contribuir para diminuir a dependência externa de tecnologias estratégicas.

Brasil bate recorde em exportações de defesa

O crescimento da indústria brasileira de defesa também se refletiu nas exportações.

Segundo dados do Ministério da Defesa, o país atingiu US$ 3,1 bilhões em autorizações para exportação de produtos de defesa até novembro de 2025, um recorde histórico. Em 2024, o volume havia alcançado US$ 1,78 bilhão.

Entre os produtos brasileiros comercializados internacionalmente estão aeronaves como o KC-390 e o A-29 Super Tucano, veículos blindados, radares, sistemas de controle, embarcações, equipamentos eletrônicos, drones e diferentes sistemas de defesa.

A indústria brasileira do setor mantém atualmente relações comerciais com cerca de 140 países.

Projetos estratégicos avançam

Os investimentos também envolvem programas estruturantes das três Forças.

Na Marinha, destacam-se a construção das fragatas Classe Tamandaré e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, incluindo o projeto do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Na Aeronáutica, os programas envolvem a incorporação dos caças Gripen e a expansão da produção do cargueiro KC-390.

No Exército, avançam projetos como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, o programa de blindados Guarani, o sistema de artilharia ASTROS e projetos de comunicação e defesa cibernética.

Somente em 2025, os programas estratégicos do Exército receberam investimentos da ordem de R$ 1,64 bilhão, segundo a Mensagem Presidencial enviada ao Congresso Nacional em 2026.

Forças Armadas também atuam em crises e desastres

Além da defesa territorial, Lula tem destacado o papel das Forças Armadas em operações humanitárias e de apoio à população.

Nos últimos anos, militares atuaram em operações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, transporte de alimentos e medicamentos, evacuação de populações ameaçadas, apoio a vítimas de desastres naturais e ações logísticas em regiões de difícil acesso.

As Forças também tiveram papel relevante na resposta a grandes enchentes e outras catástrofes, mobilizando aeronaves, helicópteros, embarcações, hospitais de campanha e tropas de engenharia.

Em grandes eventos internacionais realizados no Brasil, milhares de militares também foram mobilizados em ações de segurança, logística e proteção de infraestruturas estratégicas.

Mulheres chegam ao serviço militar

Outro símbolo das mudanças promovidas na atual gestão foi a implantação do Serviço Militar Inicial Feminino.

O alistamento voluntário de mulheres foi autorizado por decreto assinado por Lula em 2024, com recrutamento iniciado em 2025 e incorporação às Forças Armadas a partir de 2026.

Nesta terça-feira, algumas das primeiras mulheres recrutas participaram do desfile do Dia do Soldado em Brasília.

“As primeiras mulheres participantes do Exército Brasileiro como recrutas entraram este ano e estão participando do desfile. Isso mostra que mulher pode estar em qualquer lugar e pode fazer o que ela quiser”, afirmou Lula.

Para o presidente, a inclusão feminina representa também uma ruptura com barreiras históricas e culturais dentro das instituições militares.

Defesa como política de Estado

Ao colocar a defesa nacional entre as prioridades de seu projeto político, Lula recupera um tema que considera central para a soberania brasileira: a capacidade de o país dominar tecnologias estratégicas e proteger seus próprios recursos.

Essa visão conecta defesa, desenvolvimento industrial e política externa.

Para o governo, investir em submarinos, aviões, navios, sistemas de monitoramento, defesa cibernética e inteligência não significa preparar o Brasil para uma guerra, mas reduzir vulnerabilidades diante de um mundo cada vez mais instável.

A estratégia defendida por Lula parte de uma ideia simples: um país que deseja ser soberano precisa ter capacidade própria para proteger seu território, suas riquezas e sua população — e, ao mesmo tempo, utilizar seus investimentos em defesa como instrumento de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial.

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