Segmento representa 17% dos votantes e registra apoio limitado a nomes que tentam romper a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro
Os eleitores de centro ainda não encontraram uma candidatura competitiva para a eleição presidencial. Embora sejam considerados decisivos na disputa, eles concentram suas preferências nos principais representantes da polarização e demonstram pouco entusiasmo pelas opções apresentadas como alternativas.
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Os dados são de uma nova pesquisa Datafolha divulgada pelo Painel, da Folha de S.Paulo. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança entre os entrevistados que se identificam com o centro, com 31% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 17%.
As candidaturas que procuram ocupar um espaço fora dessa polarização permanecem em patamares de um dígito. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), registram 7% cada um nesse grupo.
Caiado e Zema estão tecnicamente empatados com Renan Santos, do Missão, e Augusto Cury, do Avante. Os dois aparecem com 5% das preferências entre os eleitores de centro.
O resultado evidencia a dificuldade enfrentada por governadores, dirigentes partidários e outros postulantes que tentam apresentar uma candidatura de terceira via. Mesmo dentro do segmento teoricamente mais aberto a uma alternativa, nenhum desses nomes consegue se aproximar do desempenho alcançado por Lula ou Flávio Bolsonaro.
Centro reúne 17% do eleitorado
De acordo com o Datafolha, 17% dos entrevistados se classificam politicamente como eleitores de centro. O tamanho desse grupo aumenta sua relevância para a definição da corrida presidencial, sobretudo em uma disputa marcada pela concentração de votos em campos políticos antagônicos.
A ausência de uma candidatura claramente identificada com esse segmento também aparece nas simulações de segundo turno. Em um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a proporção de eleitores de centro que votariam em branco, anulariam o voto ou permaneceriam indecisos alcança 22%.
O percentual é mais que o dobro dos 10% registrados entre o conjunto dos entrevistados na mesma simulação. A diferença indica maior resistência do centro diante de uma eventual escolha restrita aos candidatos do PT e do PL.
Os números também sugerem que parte expressiva desse eleitorado poderá ser disputada ao longo da campanha. Além de representar uma parcela relevante dos votos, o centro reúne mais indecisos e eleitores dispostos a rejeitar as opções polarizadas do que a média nacional.
Para as candidaturas alternativas, o desafio será converter essa insatisfação em apoio efetivo. Até o momento, porém, os nomes que procuram ocupar esse espaço permanecem fragmentados e sem vantagem clara sobre os demais concorrentes.