Flávio Bolsonaro chega à sua convenção fragilizado e sem aliados

Pesquisa desfavorável, dificuldades para formar alianças e impasses na escolha da vice marcam a convenção que oficializará a candidatura do senador do PL à Presidência da República

O senador Flávio Bolsonaro chega à convenção nacional do PL, neste sábado, em um dos momentos mais delicados de sua pré-campanha presidencial. Embora sua candidatura seja oficializada pelo partido, o senador enfrenta dificuldades para ampliar alianças, perdeu fôlego nas pesquisas de intenção de voto e ainda não definiu sua companheira de chapa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.Play Video

Vice permanece indefinida

A principal aposta da campanha é que a escolha da candidata a vice-presidência possa alterar a dinâmica da disputa, especialmente entre o eleitorado feminino. Até o prazo final para o registro das candidaturas, em 5 de agosto, o PL pretende anunciar o nome que integrará a chapa.

Entre as possibilidades estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Fernanda Bolsonaro e a deputada Simone Marquetto. Outra alternativa em negociação envolve uma aliança com o Republicanos, que poderia indicar Daniella Marques para a vice, embora as conversas ainda enfrentem obstáculos políticos e impasses estaduais.

Reaproximação com Michelle é prioridade

Nos bastidores, uma das principais preocupações da campanha é reconstruir a relação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. O senador publicou recentemente um vídeo em que pede desculpas à ex-primeira-dama e elogia sua atuação política, numa tentativa de reduzir o desgaste entre ambos.

Apesar do gesto, interlocutores da campanha afirmam que o clima ainda é de desconforto e que não há garantia de que Michelle participará ativamente da campanha.

Queda nas pesquisas aumenta pressão

Os levantamentos mais recentes intensificaram a preocupação entre os aliados de Flávio Bolsonaro. O senador perdeu espaço tanto nos cenários de primeiro quanto de segundo turno e também enfrenta dificuldades para conquistar eleitores da direita não bolsonarista.

A avaliação dentro da campanha é que será necessário apresentar novidades para tentar reverter a tendência observada nas pesquisas.

Isolamento dificulta alianças

Outro problema enfrentado pelo candidato é o isolamento político. Partidos do campo conservador têm resistido a formalizar alianças, reduzindo as perspectivas de ampliação da coligação e do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

As negociações com o Republicanos continuam, mas dependem de acordos mais amplos em diversos Estados.

Críticas à coordenação da campanha

A condução da pré-campanha também passou a ser alvo de críticas internas. Integrantes do PL e de partidos aliados avaliam que o senador Rogério Marinho concentrou excessivamente as decisões estratégicas, limitando a participação de outras lideranças na articulação política.

A percepção é de que a campanha precisará ampliar o diálogo interno caso queira fortalecer a candidatura nas próximas semanas.

Plano de governo será divulgado em agosto

Enquanto busca destravar as negociações políticas, Flávio Bolsonaro prepara o lançamento de seu plano de governo, que já está concluído e deverá ser apresentado no início de agosto, por ocasião do registro oficial da candidatura.

Sem novas alianças, contudo, a campanha trabalha com a perspectiva de iniciar o horário eleitoral gratuito em desvantagem em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá contar com maior tempo de televisão e rádio caso o quadro de coligações permaneça inalterado.

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