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Trump perde a confiança dos americanos na economia e vê democratas assumirem liderança inédita

Pesquisa Reuters/Ipsos mostra queda na aprovação do presidente e revela que, pela primeira vez em quase uma década, os eleitores confiam mais nos democratas

Donald Trump começa a pagar o preço de sua política econômica errática e de sua estratégia de confrontação permanente. Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que, pela primeira vez em quase dez anos, os americanos passaram a confiar mais no Partido Democrata do que no Partido Republicano para conduzir a economia do país, justamente o tema que sempre foi apresentado como principal trunfo político do presidente.Play Video

O levantamento mostra que 37% dos entrevistados consideram os democratas mais preparados para administrar a economia, enquanto 36% preferem os republicanos. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro, trata-se de uma mudança histórica na percepção do eleitorado, já que os republicanos mantiveram vantagem nesse quesito durante praticamente toda a última década, inclusive ao longo do governo Joe Biden.

Popularidade de Trump continua em queda

A pesquisa também revela um novo recuo na aprovação do presidente. Trump passou de 37% para apenas 35% de aprovação em um intervalo de um mês, sinalizando que seu governo enfrenta crescente desgaste diante da população.

Os números reforçam a percepção de que as promessas de prosperidade feitas pelo republicano estão cada vez mais distantes da realidade enfrentada pelos consumidores americanos.

O resultado também desmonta um dos principais pilares do discurso trumpista. Desde sua primeira campanha presidencial, Trump construiu sua imagem como empresário bem-sucedido e gestor capaz de impulsionar a economia. Agora, essa narrativa começa a perder força justamente entre os eleitores.

Guerra elevou preços e ampliou insatisfação

Segundo a Reuters, um dos fatores que mais contribuíram para a deterioração da percepção econômica foi a disparada dos preços da gasolina.

Após a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, os combustíveis registraram aumento superior a 25%, pressionando o custo de vida e alimentando a insatisfação popular.

A política externa agressiva da Casa Branca passou a produzir efeitos diretos sobre o bolso dos americanos, corroendo o argumento de que Trump seria capaz de garantir estabilidade econômica.

Ao priorizar aventuras militares e ampliar tensões internacionais, o governo acabou agravando justamente um dos indicadores mais sensíveis para o eleitorado: o preço da energia.

Democratas ampliam vantagem para o Congresso

O desgaste presidencial também aparece na corrida eleitoral para o Congresso.

Segundo o levantamento, 42% dos eleitores registrados afirmam que pretendem votar em candidatos democratas, enquanto 37% preferem candidatos republicanos.

Entre os eleitores independentes — tradicionalmente decisivos nas eleições americanas — a vantagem democrata chega a 12 pontos percentuais, indicando um movimento consistente de afastamento do eleitorado moderado em relação ao governo.

A disputa de novembro será particularmente importante porque os republicanos defendem atualmente maiorias estreitas no Capitólio. Cerca de 35 cadeiras da Câmara dos Representantes e oito assentos do Senado são considerados altamente competitivos.

Trump tenta desqualificar pesquisas

Como tem feito repetidamente diante de resultados desfavoráveis, Trump procurou minimizar a pesquisa.

Antes mesmo da divulgação do levantamento da Reuters/Ipsos, afirmou que seus números “reais” de popularidade seriam muito superiores aos apresentados pelos institutos de pesquisa.

A estratégia de atacar pesquisas e questionar dados desfavoráveis tornou-se uma marca de sua atuação política. No entanto, ela pouco altera a percepção de um eleitorado que convive diariamente com o aumento do custo de vida e com os efeitos da instabilidade econômica.

Sinal de alerta para a Casa Branca

A perda da liderança republicana na confiança sobre a economia representa um dos mais sérios sinais de alerta para o governo Trump. Historicamente, esse sempre foi o principal ativo político do presidente.

Se essa tendência se consolidar até as eleições legislativas de novembro, os republicanos poderão enfrentar dificuldades para manter sua influência no Congresso, enquanto os democratas ganham fôlego para recuperar espaço político.

Mais do que uma oscilação estatística, a pesquisa revela que uma parcela crescente dos americanos começa a associar o governo Trump não à prosperidade prometida, mas à inflação, à instabilidade internacional e ao enfraquecimento da economia doméstica. Nesse cenário, o presidente vê ruir justamente o argumento que sustentou sua ascensão política: a promessa de fazer os Estados Unidos voltarem a prosperar.

Por Brasil 247

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