Projeto do Mais Ciência investiga a memória das usinas de Campos a partir das vilas operárias
Resgatar histórias que ajudaram a moldar Campos dos Goytacazes e transformá-las em conhecimento acessível à população é um dos objetivos do projeto “As casas do açúcar: um estudo histórico-etnográfico dos assentamentos agroindustriais das usinas de Campos”, desenvolvido com apoio do programa Mais Ciência, da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct).
Coordenado pela pesquisadora Simone Silva, o projeto investiga a formação das vilas operárias das usinas canavieiras, seus espaços de convivência e as experiências de moradores e trabalhadores. O estudo reúne pesquisas históricas, levantamento documental, entrevistas e análises sobre a arquitetura e os usos dos imóveis que integravam os complexos agroindustriais.
Segundo Simone, ainda existem lacunas na produção acadêmica local sobre as vilas operárias e a memória dos trabalhadores da cana. “Apesar da relevância da produção açucareira para a história de Campos durante décadas, ainda são poucos os estudos dedicados aos complexos agroindustriais do município”, afirma.
A pesquisadora também destaca uma motivação pessoal: sua família materna vem de uma região marcada pela monocultura açucareira, o que despertou seu interesse pela preservação da memória dos núcleos operários ligados à cana.
Desde o início, a equipe realizou levantamento de fotografias, mapas, plantas arquitetônicas e outros registros, além de entrevistas com moradores e ex-moradores. O trabalho permitiu identificar vilas ligadas a diferentes unidades produtivas, compreender transformações e mapear locais que ainda mantêm vínculos com antigos trabalhadores.
Atualmente, a pesquisa concentra esforços na análise de documentos históricos e na ampliação do trabalho de campo, reunindo relatos sobre a vida cotidiana nesses espaços. A proposta também dialoga com outras pesquisas sobre a preservação da memória das usinas de Campos e do patrimônio da indústria açucareira brasileira.
Entre os desdobramentos previstos está uma exposição aberta ao público, com parte do material reunido. Para Simone, a iniciativa poderá ampliar o debate sobre os impactos sociais e culturais da atividade canavieira e aproximar esse conhecimento da população.
A coordenadora ressalta ainda a importância do Mais Ciência, que viabiliza bolsas e apoia etapas como levantamento de dados, identificação de fontes e sistematização das informações, além de fortalecer a formação dos estudantes envolvidos e preservar a memória local.