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Prévia da inflação recua 0,40% em agosto impulsionado por queda na conta de luz e nos combustíveis

Prévia da inflação oficial acumula alta de 3,09% no ano e desacelera para 4,24% no acumulado de 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou variação negativa de 0,40% no mês de agosto. O resultado representa um recuo de 0,46 ponto percentual em relação à taxa observada em julho, quando o indicador subiu 0,06%. Com esse desempenho, o IPCA-15 passa a acumular uma alta de 3,09% no ano. Na análise acumulada dos últimos 12 meses, a taxa desacelerou para 4,24%, ficando abaixo dos 4,52% registrados no período imediatamente anterior. Em agosto de 2025, o índice havia sido de -0,14%, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A deflação em agosto foi puxada principalmente por recuos expressivos em três dos principais grupos de despesas que compõem o índice: Habitação (-1,41%), Transportes (-1,00%) e Alimentação e bebidas (-0,57%). Juntos, eles geraram os impactos negativos mais significativos no resultado global, com contribuições de -0,22 ponto percentual, -0,20 ponto percentual e -0,12 ponto percentual, respectivamente. As demais classes de produtos e serviços pesquisadas apresentaram variações entre a queda de 0,20% no grupo Vestuário e a alta de 0,66% em Despesas pessoais.

O maior impacto individual de baixa sobre o índice geral veio do item energia elétrica residencial, que despencou 6,25% e contribuiu isoladamente com -0,26 ponto percentual no resultado do mês. A retratação ocorreu devido à incorporação do Bônus de Itaipu, creditado diretamente nas faturas dos consumidores emitidas ao longo de agosto. O alívio nas contas ocorreu mesmo com a manutenção da bandeira tarifária amarela no mês, que adiciona uma taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 kilowatt-hora consumidos.

O grupo Habitação também absorveu diferentes reajustes tarifários aplicados por concessionárias locais: alta de 19,55% em Curitiba (com impacto final de -4,83% no item na região, vigente desde 24 de junho); reajuste de 14,89% em uma das distribuidoras de Porto Alegre (-8,93%, vigente desde 19 de junho); e reajuste de 8,85% em uma das concessionárias de São Paulo (-3,88%, em vigor desde 4 de julho).

Ainda em Habitação, o subitem taxa de água e esgoto subiu 0,34%, assimilando os reajustes de 5,77% em Porto Alegre (1,34%), em vigor desde 1º de julho, e de 3,55% em Salvador (3,07%), aplicado a partir de 20 de julho. Já o gás encanado avançou 0,81%, impulsionado pelo reajuste de 10,21% nas tarifas de Curitiba (4,76%) e pela alta média de 1,80% no Rio de Janeiro (0,81%), ambos em vigor desde 1º de agosto.

No segmento de Transportes, a taxa passou de 0,11% em julho para -1,00% em agosto. O movimento foi sustentado pelas reduções nos preços das passagens aéreas (-13,30%) e dos combustíveis (-1,43%). Entre os combustíveis, registraram deflação o etanol (-3,63%), a gasolina (-1,23%) e o óleo diesel (-0,71%), enquanto o gás veicular seguiu na contramão ao subir 1,42%. No serviço de táxi, que teve alta média de 0,20%, destacou-se o reajuste de 8,42% nas tarifas praticadas em Belo Horizonte (1,96%), a partir do dia 8 de agosto.

O grupo Alimentação e bebidas cedeu 0,57% em agosto, impulsionado pela queda de 0,97% na alimentação no domicílio. Contribuíram para o alívio no bolso do consumidor as expressivas baixas de itens básicos como o tomate (-27,38%), a batata-inglesa (-25,14%), a cenoura (-17,05%) e o café moído (-2,31%). Na direção oposta, registraram avanços o leite longa vida (3,41%) e as frutas (3,11%).

A alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. O item lanche subiu 0,75% (acima dos 0,30% observados no mês anterior), ao passo que a refeição desacelerou de 0,66% para 0,25%.

Entre os grupos com variação positiva, o de Despesas pessoais subiu 0,66%, pressionado prioritariamente pelo reajuste no preço do cigarro (5,56%), em vigor desde 1º de agosto. O grupo Educação registrou variação de 0,46%, refletindo os reajustes aplicados nos cursos regulares (0,52%), com destaque para as altas no ensino fundamental (0,58%) e no ensino superior (0,49%). Os cursos diversos subiram 0,36%, influenciados pelo aumento dos cursos de idiomas (0,92%).

No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,40%), sobressaíram-se os artigos de higiene pessoal (0,47%) e o plano de saúde (0,42%). A variação dos planos reflete a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para os contratos posteriores à Lei nº 9.656/98, o percentual autorizado é de até 5,11%, com vigência a partir de maio de 2026 e encerramento do ciclo em abril de 2027. Para os planos anteriores à legislação, os índices fixados variaram entre 5,52% e 6,20%, a depender do contrato.

Na análise regional, todas as onze áreas pesquisadas pelo IBGE apresentaram taxas negativas em agosto. O menor resultado foi verificado na região metropolitana de Curitiba (-0,82%), puxado pelas fortes quedas nos preços da passagem aérea (-15,34%) e da energia elétrica residencial (-4,83%). Já o maior índice (a menor deflação) foi registrado em São Paulo (-0,06%), onde o resultado acabou amortecido pelas pressões de alta registradas no leite longa vida (4,66%) e nos serviços de conserto de automóvel (2,97%).

Para a apuração do IPCA-15 de agosto, os preços foram coletados entre 16 de julho e 14 de agosto de 2026 e comparados aos valores vigentes de 17 de junho a 15 de julho de 2026. A amostragem abrange famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos residentes nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A prévia emprega a mesma metodologia do IPCA regular, diferenciando-se apenas pelo período de coleta de dados e pela abrangência geográfica.

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