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PAPO DE BOTEQUIM

Fechou a Copa. Abriu a janela. E o gerente do bar já virou diretor de futebol.

Acabou a Copa do Mundo. Nem deu tempo de guardar as bandeiras. O assunto mudou. Agora é janela de transferências.

No Bar do Zé, bastou aparecer a primeira notícia de contratação para começar a reunião de “especialistas”. O flamenguista foi logo decretando:

— Se eu fosse presidente do meu clube, contratava três.

O vascaíno respondeu:

— Três?

— Sim.

— E dinheiro?

— Dinheiro é problema do presidente. Eu sou só da comissão de palpites.

O botafoguense tomou um gole de cerveja e avisou:

— Contratar é fácil. Difícil é o cara jogar bola depois que veste a camisa.

O tricolor fez cara de entendido.

— O futebol brasileiro tem uma doença.

Todo mundo olhou.

— Compra jogador pelo vídeo da internet.

O garçom concordou.

— Vídeo meu sobrinho também faz. Parece até que joga igual ao Messi.

Risada geral. Nisso apareceu a notícia: “Clube negocia atacante europeu.” O flamenguista abriu um sorriso.

— Esse resolve.

O vascaíno perguntou:

— Você conhece?

— Não.

— Já viu jogar?

— Também não.

— Então por que resolve?

— Porque todo jogador novo resolve… até estrear.

Mais gargalhadas.

O dono do bar enxugou o balcão.

— O pior é que daqui a três meses o mesmo torcedor que pediu a contratação vai pedir a demissão.

O botafoguense levantou o copo.

— Futebol é o único lugar onde a esperança renova contrato antes da diretoria.

O tricolor completou:

— E a paciência rescinde no primeiro empate.

Silêncio.

O garçom trouxe outra rodada.

— Então acabou a Copa…

O dono do bar sorriu.

— Acabou nada.

Agora começa o campeonato mais difícil do futebol brasileiro. O campeonato da imaginação. Até setembro… todo reforço é craque. Todo dirigente é gênio. Todo treinador sabe o que faz. E todo torcedor tem certeza absoluta de que…”Falta só mais um atacante.”

Ricardo Bernardes

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