PAPO DE BOTEQUIM
No fim, quem ganhou foi o futebol. E a Espanha também.
Tem final de Copa que acaba quando o juiz apita. E tem final que continua no botequim. Foi assim no Bar do Zé. O flamenguista entrou primeiro.
— Rapaz… os espanhóis jogam uma bola danada.
O vascaíno respondeu:
— Jogam desde que o mundo é mundo. A diferença é que agora fazem gol também.
O botafoguense, olhando para a televisão desligada, filosofou:
— Futebol bonito é igual dinheiro… quando aparece, todo mundo quer.
O tricolor, que já estava na segunda cerveja, levantou o dedo:
— O problema da Espanha é que ela faz parecer fácil. A bola anda mais que jogador.
Lá do canto, o garçom interrompeu:
— Igual conta de bar…
Todo mundo riu. Aí veio o assunto inevitável: Messi.
Silêncio. Até quem passou o torneio inteiro secando a Argentina baixou a guarda. O flamenguista falou baixinho:
— Rapaz… perder faz parte. Mas ver o Messi sair derrotado dá uma tristeza danada.
O vascaíno concordou.
— O homem já ganhou tudo. Mas parece que a gente nunca está preparado para o fim.
O botafoguense completou:
— Craque não torce contra ninguém. Craque a gente agradece por ter visto jogar.
O tricolor ergueu o copo.
— Messi já passou da fase de ser argentino.
Virou patrimônio do futebol.
O dono do bar enxugou o balcão e encerrou a discussão.
— E a Espanha?
O flamenguista sorriu.
— Mereceu.
Jogou como time. Sem estrelismo. Sem novela. Sem entrevista falando mais que futebol. Foi lá…
…e ganhou.
O garçom trouxe mais uma rodada.
— Então hoje ninguém briga?
O dono respondeu:
— Brigar pra quê?
A Copa acabou.
Agora cada um volta a sofrer pelo próprio time.
E, como sempre acontece no Rio… segunda-feira começa outro campeonato. Porque o carioca pode até respeitar campeão do mundo. Mas nunca perde a oportunidade de dizer que o técnico do seu clube faria melhor.
Ricardo Bernardes