PAPO DE BOTEQUIM
No Rio, até empate vira filme de ação
Rapaz… Tem jogo que dura noventa minutos. Tem jogo que dura até a segunda-feira no botequim. Fluminense e Bragantino resolveram entregar logo um pacote completo. Teve gol. Teve VAR. Teve cotovelada. Teve empurra-empurra. Teve cartão vermelho. Teve quase UFC. E, no final, teve gol aos 58 minutos.
Carioca gosta é disso. Quando o juiz deu mais de quinze minutos de acréscimo, um tricolor levantou da mesa e perguntou:
— Esse jogo é Brasileirão ou Carnaval? Porque ninguém quer ir embora.
Do outro lado do balcão, um flamenguista respondeu:
— Relaxa… daqui a pouco aparece o terceiro tempo.
O vascaíno, que até então estava calado, tomou um gole de cerveja e soltou:
— No meu time esse gol saía aos 59… contra.
O botafoguense balançou a cabeça:
— Vocês reclamam demais. Pior é quando o sofrimento dura um campeonato inteiro.
O dono do bar nem piscava. Toda vez que aparecia o VAR, ele diminuía o volume da televisão. Não adiantava. Os clientes narravam o lance melhor que o comentarista. No fim da confusão, ninguém sabia direito quem tinha sido expulso. Mas todo mundo tinha certeza de uma coisa: O juiz também precisava de um banho depois daquele jogo.
Quando Ignácio empatou aos 58 minutos, metade do bar comemorou. A outra metade reclamou do tempo. E teve um senhor, lá do canto, que encerrou a discussão como todo carioca experiente faz:
— Meu amigo… futebol bom é aquele que faz a gente esquecer a conta do bar.
Silêncio. Cinco segundos depois… Todo mundo voltou a discutir quem começou a briga. Porque no Rio de Janeiro, empate pode até dividir pontos. Mas nunca divide a resenha.