Crise migratória em Ceuta se agrava: número de mortos sobe para 57 após travessias pelo mar
Milhares de migrantes tentaram entrar no território espanhol a partir do Marrocos; Espanha reforça a segurança na fronteira e amplia operação de resgate.
A crise migratória na fronteira entre o Marrocos e a cidade espanhola de Ceuta ganhou novos contornos dramáticos nesta sexta-feira (31). O governo da Espanha confirmou que 57 corpos já foram resgatados nas águas próximas ao enclave espanhol, após uma das maiores ondas migratórias registradas nos últimos anos.
Segundo o Ministério do Interior espanhol, mais de 49 mil pessoas chegaram a Ceuta nas últimas 24 horas. A maioria dos migrantes é formada por cidadãos marroquinos, embora também haja famílias, crianças e pessoas de outras nacionalidades africanas. Grande parte da travessia ocorreu pelo mar, com milhares de pessoas nadando ao redor dos quebra-mares que separam os dois territórios.
Diante da dimensão da crise, o governo espanhol mobilizou militares para reforçar a Guarda Civil e as forças policiais responsáveis pelo controle da fronteira. Os centros de acolhimento da cidade operam próximos do limite de capacidade, enquanto equipes de resgate seguem atuando na região em busca de sobreviventes e vítimas.
Ceuta é uma cidade autônoma pertencente à Espanha, localizada no norte da África. Por integrar o território espanhol, a cidade faz parte da União Europeia e representa uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam alcançar o continente europeu.
As autoridades espanholas investigam as causas da nova onda migratória. Entre as hipóteses estão a atuação de organizações criminosas especializadas no tráfico internacional de pessoas e mudanças recentes relacionadas aos procedimentos de devolução de migrantes interceptados durante a travessia.
A União Europeia manifestou apoio ao governo espanhol e estuda ampliar a cooperação para o controle das fronteiras externas do bloco, inclusive com o reforço da atuação da agência Frontex, responsável pela segurança fronteiriça.
Enquanto isso, milhares de migrantes permanecem em centros provisórios aguardando identificação e análise de seus pedidos de proteção internacional. Aqueles que não atenderem aos critérios legais poderão ser devolvidos ao Marrocos, conforme acordos bilaterais firmados entre os dois países.