Pedro Sánchez critica países europeus por ataques e ameaças contra a Espanha em meio à crise migratória em Ceuta
Primeiro-ministro espanhol pediu a convocação de uma reunião extraordinária da União Europeia em meio à crise migratória no enclave de Ceuta
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, pediu neste sábado (1), em carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que a União Europeia convoque uma reunião extraordinária dos ministros do Interior para coordenar uma resposta comum à recente crise migratória no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, ao mesmo tempo em que criticou o que classificou como uma postura “egoísta” de alguns Estados-membros.Play Video
Subiu para 67 o número de migrantes mortos ao tentar entrar em Ceuta a partir do Marrocos, de acordo com informações divulgadas pela agência Sputnik neste sábado (1). Na quinta-feira (30), milhares de jovens marroquinos se reuniram na fronteira entre o Marrocos e a cidade. Centenas deles conseguiram entrar em território espanhol. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que está considerando suspender a aplicação do Acordo de Schengen com a Espanha em razão da crise migratória.
No documento, Sánchez manifestou sua “profunda preocupação” com a reação de alguns governos europeus após a entrada em massa de migrantes em situação irregular em Ceuta. Segundo o premiê, cerca de 50 mil migrantes entraram irregularmente em Ceuta, mas a Espanha restabeleceu o controle da fronteira em menos de 48 horas, prestou assistência humanitária, devolveu praticamente todos os que cruzaram ilegalmente a fronteira e impediu qualquer deslocamento não autorizado para o território continental europeu.
Sánchez afirmou que esses resultados foram alcançados graças à estreita cooperação com as autoridades marroquinas e ao apoio de outros Estados-membros da União Europeia. O premiê também ressaltou que a política migratória espanhola transformou o país em uma das fronteiras externas mais seguras do bloco.
No entanto, o primeiro-ministro afirmou que, enquanto a maioria dos governos da UE manifestou solidariedade e ofereceu apoio, outros optaram por “atacar a Espanha” e defender sua exclusão temporária do Espaço Schengen.
Segundo Sánchez, essa reação, “motivada por preconceito, notícias falsas, ignorância ou interesse político”, contraria o direito europeu, o direito humanitário e o princípio da solidariedade. “A União Europeia não pode se dar ao luxo desse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”, afirmou.
Por fim, Sánchez solicitou à Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia a convocação urgente de uma videoconferência extraordinária dos ministros do Interior do bloco, com o objetivo de coordenar uma resposta conjunta para situações semelhantes e reforçar o princípio de que a proteção das fronteiras externas da UE deve ser uma responsabilidade coletiva dos países-membros.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, que quase todos os migrantes que entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, já retornaram ao Marrocos, destacando que a integridade do Espaço Schengen está “absolutamente garantida”.
“Quase todos os que entraram em Ceuta já retornaram ao Marrocos. É impossível deslocar-se de Ceuta e Melilla para a Península [Ibérica] sem identificação nos postos de controle da polícia. A integridade do Espaço Schengen está absolutamente garantida. Chega de criar… confusão”, disse Albares.
Na sexta-feira (31), o presidente-prefeito de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou que cerca de 60 mil pessoas entraram na cidade autônoma vindas do Marrocos em um único dia. Ceuta é um enclave espanhol localizado na costa norte da África, na fronteira com o Marrocos. Juntamente com Melilla, forma a única fronteira terrestre entre a União Europeia e a África e é considerada uma das principais rotas de migração para o bloco europeu.
Mais de 50 mil migrantes já retornaram ao Marrocos a partir do enclave espanhol de Ceuta, segundo a polícia de Ceuta. Cerca de 53 mil pessoas voltaram voluntariamente ao Marrocos após a chegada em massa de migrantes ao enclave nos últimos dias, informaram as forças de segurança espanholas.
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