RONALD LEVINSHON E A DOAÇÃO QUE AJUDOU A “FADA” A CRESCER
Uma doação pode ser registrada em documentos como uma transferência patrimonial. Para uma instituição social, porém, seu significado pode ser muito maior. Pode representar condições para crescer, desenvolver novas atividades, receber mais pessoas e dar continuidade a um trabalho iniciado anos antes. É nessa perspectiva que uma contribuição de Ronald Guimarães Levinsohn se encontra com a história da Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Autista, a FADA.
Localizada em Cotia, na Grande São Paulo, a FADA construiu uma trajetória voltada ao apoio e ao desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e de suas famílias. Segundo o histórico institucional da própria Fundação, a entidade foi fundada em 1988 por pais de crianças com autismo, a partir da doação inicial de um terreno feita pelo empresário Eugênio de Andrade Martins, no bairro Gramado. A iniciativa nasceu com o propósito de proporcionar melhor qualidade de vida, estimular capacidades físicas e emocionais e favorecer a interação social.
Ao recordar a trajetória da Fundação, Beatriz Miranda de Carvalho, presidente da FADA, destaca a participação de Ronald Levinsohn em uma etapa posterior do desenvolvimento da instituição. Segundo seu depoimento, ele fez a doação de uma área realizada por ele contribuiu para ampliar a capacidade de atuação da entidade e criar melhores condições para a continuidade.
Espaço para continuar uma missão
Instituições dedicadas ao atendimento de pessoas com autismo dependem de recursos, equipe e continuidade para transformar seus objetivos em ações concretas. Na FADA, o trabalho institucional utiliza diferentes estratégias voltadas ao desenvolvimento e à autonomia, conforme apresentado em sua metodologia de atendimento. É nesse ambiente que atividades de aprendizagem, convivência, acolhimento e desenvolvimento ganham forma.
Por isso, quando uma entidade consegue ampliar suas condições de funcionamento, o efeito não se limita ao patrimônio acumulado. Ele alcança a capacidade de sustentar atividades, receber pessoas e oferecer continuidade a um trabalho especializado.
É dessa maneira que a contribuição feita por Ronald Levinsohn deve ser compreendida dentro da história da Fundação. A doação não criou a FADA nem iniciou sua missão. A instituição já possuía sua própria trajetória, construída a partir da mobilização de famílias em torno das necessidades de pessoas com autismo.
A participação de Ronald ocorreu como apoio a um trabalho que já existia. O valor histórico do episódio está justamente nisso: oferecer uma condição concreta para que uma organização especializada pudesse avançar em sua própria missão.
O legado demonstrado pelos resultados
O episódio acrescenta uma perspectiva diferente à reconstrução da trajetória de Ronald Guimarães Levinsohn.
Em outras iniciativas associadas ao seu nome, sua atuação aparece vinculada diretamente à educação, à pesquisa, à extensão universitária e à preservação ambiental. Na relação com a FADA, surge outra forma de participação social: o apoio patrimonial concreto a uma instituição independente e dedicada a uma causa específica.
Essa diferença ajuda a compreender o alcance de sua atuação. O valor da contribuição não precisa ser demonstrado por adjetivos. Ele pode ser observado na continuidade da própria instituição e no trabalho desenvolvido a partir das condições que ela conquistou para se expandir.
Para quem observa apenas o ato da doação, existe um registro patrimonial. Para quem acompanha o que acontece depois, aparecem pessoas, famílias, profissionais, atividades e uma instituição que continua desempenhando sua função social.
Uma contribuição que atravessou o tempo
Décadas separam aquele gesto da realidade atual da FADA. Nesse intervalo, também se ampliou a presença do autismo nas discussões sobre saúde, educação, inclusão, direitos e políticas públicas. Instituições que acumularam experiência nesse atendimento passaram a ocupar papel ainda mais relevante diante da necessidade de apoio adequado às pessoas autistas e às suas famílias.
É nesse presente que a contribuição feita no passado pode ser dimensionada. A própria FADA se apresenta hoje como uma comunidade de apoio às pessoas com TEA e seus familiares, mantendo uma atuação que combina desenvolvimento, aprendizagem, convivência e apoio às famílias.
A doação realizada por Ronald Guimarães Levinsohn não deve ser lembrada apenas como um episódio patrimonial de sua trajetória. Seu significado está na possibilidade de ter contribuído para que uma instituição dedicada ao autismo encontrasse melhores condições para crescer e continuar trabalhando.
A doação pertence ao passado. O impacto produzido a partir dela continua no presente.