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PAPO DE BOTEQUIM

Futebol de churrasco

Tem expressão que nasce pronta. A comentarista Renata Silveira chamou Inglaterra x França de “futebol de churrasco”. Pronto. Acabou a transmissão. Pode fechar o estádio. Melhor definição que essa não existe. Carioca sabe exatamente o que é futebol de churrasco. É aquele em que ninguém marca ninguém. O lateral vira atacante. O zagueiro resolve driblar. O goleiro sai jogando igual meia-armador. E todo mundo acha que o problema é do outro.

É igual pelada de domingo. O sujeito chega às nove da manhã dizendo que vai só “bater uma bolinha”.Quando dá meio-dia, já tem discussão sobre impedimento, um querendo ir embora porque a carne queimou e outro jurando que o placar está errado.

No botequim, a televisão mostrava Inglaterra e França. Mas a conversa era outra.

— Isso aí não é Copa. É churrasco de condomínio.

O flamenguista deu risada.

— Se botar uma caixa de isopor atrás do gol, fica igual à pelada lá da rua.

O vascaíno concordou.

— Só faltou aparecer um tio de sandália dizendo que o próximo gol vale dois.

O botafoguense, que nunca perde a chance, completou:

— E um amigo pedindo pra esperar porque ainda está acendendo a churrasqueira.

O tricolor olhou para a tela, viu mais uma correria sem pé nem cabeça e decretou:

— Agora entendi… o VAR virou aquele primo que sempre chega atrasado.

No Rio de Janeiro é assim. A gente consegue transformar até uma semifinal de Copa em campeonato do Aterro do Flamengo. Porque carioca não assiste só futebol. Carioca traduz futebol.

E quando o jogo parece pelada… Não tem comentarista. Tem churrasqueiro.

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