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Novas tarifas dos EUA terão efeito limitado sobre economia brasileira, aponta FMI


Órgão destacou baixa exposição ao mercado norte-americano e alta de exportações agrícolas como fatores de proteção para o país


O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos devem ter impacto limitado sobre a economia brasileira, que, segundo a instituição, mantém capacidade de resistência diante das incertezas do cenário internacional.
Em relatório divulgado na quinta-feira, o órgão afirmou que, apesar da aplicação de uma nova tarifa de 12,5%, somada à alíquota de 25% anunciada anteriormente, o efeito macroeconômico esperado para o Brasil deve ser “modesto”. A análise consta nos documentos da consulta anual do Artigo IV e da revisão do setor financeiro (FSAP).
Segundo o FMI, a exposição relativamente reduzida do Brasil ao mercado norte-americano ajuda a explicar o impacto limitado. Antes do aumento das tarifas, as exportações brasileiras para os Estados Unidos representavam menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as vendas para outros mercados cresceram.
O Fundo destacou que o aumento das exportações de soja para a China teve papel importante na redução dos efeitos sobre a balança comercial e na compensação do déficit em transações correntes. A instituição também afirmou que o Brasil pode se beneficiar de um desvio de comércio, principalmente no setor agrícola, apesar dos riscos de interrupção das cadeias globais de suprimentos.
O relatório ressaltou ainda que o país apresenta resiliência diante das oscilações do mercado de petróleo, por ser exportador líquido da commodity e possuir grande participação de fontes renováveis em sua matriz energética. A projeção do FMI é de crescimento de 2,4% da economia brasileira em 2026, impulsionado pelos preços internacionais do petróleo e por estímulos fiscais.
Apesar da avaliação positiva, o organismo defendeu um ajuste fiscal mais ambicioso para reduzir a dívida pública, ampliar investimentos e fortalecer a estabilidade econômica. Segundo o FMI, uma política fiscal mais firme ajudaria no controle da inflação e poderia abrir espaço para a redução dos juros.
O Fundo alertou, porém, que as perspectivas brasileiras continuam condicionadas ao cenário externo. Uma possível intensificação das tensões no Oriente Médio e a alta incerteza global podem pressionar a inflação, endurecer as condições financeiras e reduzir o ritmo da economia mundial.

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