Mais de 80% dos brasileiros defendem limites ao uso da IA nas eleições, diz pesquisa CNT/MDA
Segundo o levantamento, 49,8% defendem a proibição de qualquer conteúdo criado com IA durante a disputa eleitoral
A utilização de inteligência artificial para produzir vídeos e peças de propaganda de candidatos enfrenta forte resistência do eleitorado brasileiro. Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11) aponta que 49,8% dos entrevistados defendem a proibição de qualquer conteúdo desse tipo criado com IA durante a disputa eleitoral.Play Video
Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, o levantamento realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o Instituto MDA, mostra ainda que apenas 8,9% dos brasileiros apoiam a liberação de qualquer vídeo ou propaganda produzida com inteligência artificial.
Outros 34,3% defendem uma posição intermediária: para esse grupo, a proibição deveria atingir apenas vídeos que utilizem notícias falsas sobre candidatos. Outros 7% não souberam ou não responderam.
Consideradas conjuntamente as duas respostas favoráveis a algum grau de restrição, 84,1% dos entrevistados defendem limites para conteúdos eleitorais produzidos com inteligência artificial.
Pesquisa ocorre em meio à controvérsia sobre Bolsonaro
O levantamento é divulgado em um momento de crescente discussão sobre os limites da inteligência artificial na campanha eleitoral.
O debate ganhou força depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República,s e tornou alvo de ações na Justiça devido à utilização de um vídeo de Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial durante a convenção do PL em São Paulo. O ex-mandatário foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no âmbito do inquérito da trama golpista e atualmente está em prisão domiciliar em decorrência de problemas de saúde.
Nesta terça-feira (11), Flávio Bolsonaro defendeu o uso de inteligência artificial pelas campanhas mesmo sem a autorização da pessoa retratada.
A controvérsia ocorre em um cenário no qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu regras específicas para conteúdos sintéticos nas eleições de 2026.
Entre as normas aprovadas pela Corte está a limitação à circulação de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial que modifiquem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas no período de 72 horas antes e 24 horas depois do pleito.
As regras também estabelecem obrigações relacionadas à identificação de conteúdos sintéticos e preveem medidas contra materiais que violem as normas eleitorais.
Redes sociais são principal fonte eleitoral para 45%
Outro resultado da pesquisa CNT/MDA amplia a relevância do debate sobre inteligência artificial e conteúdos eleitorais.
Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados apontam as redes sociais como o principal meio utilizado para obter informações e notícias sobre as eleições.
O percentual coloca as plataformas digitais no centro da circulação de informações durante a campanha, justamente no momento em que a Justiça Eleitoral busca estabelecer limites para conteúdos produzidos ou manipulados artificialmente.
O TSE também criou, em junho, uma comissão permanente destinada a organizar iniciativas relacionadas à inteligência artificial no âmbito da Justiça Eleitoral, com atenção especial ao combate à desinformação e à disseminação de notícias falsas.
CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas
A pesquisa foi realizada entre 5 e 9 de agosto e ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do Brasil. A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06935/2026.