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Lula descarta contato direto com Trump antes do prazo para tarifaço

Planalto aposta em negociações técnicas e apoio do setor empresarial para tentar evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu, por ora, não fazer uma interlocução direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar reverter a decisão de impor uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, informa a CNN Brasil. A estratégia do Palácio do Planalto é esgotar primeiro todas as vias técnicas e diplomáticas antes de recorrer a uma negociação política entre os dois chefes de Estado.

A orientação do governo federal é concentrar esforços nas tratativas conduzidas por equipes técnicas e diplomáticas, avaliando que uma aproximação direta entre Lula e Trump deverá ocorrer apenas se as demais tentativas de negociação não produzirem resultados.

A nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos tem previsão de entrar em vigor na próxima quarta-feira (15) e deverá atingir exportações brasileiras de setores como máquinas, plásticos e pescados. A medida faz parte da política comercial da administração Trump e sua implementação depende de decisão final do presidente norte-americano.

Neste momento, a principal aposta do governo brasileiro é mobilizar o setor produtivo para ampliar a pressão sobre a Casa Branca. A avaliação no Planalto é que empresários brasileiros e empresas americanas com interesses comerciais no Brasil podem desempenhar papel relevante na tentativa de convencer o governo dos Estados Unidos a rever ou flexibilizar a medida.

A estratégia tem como referência uma experiência anterior. No ano passado, a articulação de empresas americanas contribuiu para que a administração Trump criasse uma lista de exceções em medidas tarifárias, abrindo espaço para negociações específicas.

Além da atuação empresarial, integrantes do governo brasileiro ainda trabalham com a possibilidade de que a entrada em vigor da tarifa seja adiada. A expectativa é baseada na prática adotada pelo governo americano de postergar a implementação de determinadas medidas comerciais para permitir a abertura de mesas de negociação entre as partes envolvidas.

Nesse cenário, Lula pretende preservar o contato direto com Trump como um recurso de última instância. A avaliação é que uma conversa entre os dois presidentes somente deverá ocorrer caso todas as alternativas diplomáticas e técnicas sejam esgotadas sem sucesso.

Enquanto isso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mantém as tratativas com autoridades americanas. O ministro Marcio Elias Rosa informou que solicitou uma nova reunião com Jamieson Greer, representante do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na tentativa de buscar uma solução negociada antes da entrada em vigor das novas tarifas.

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