Irã acusa EUA de tentar normalizar crimes de guerra
Teerã afirma que ameaças dos EUA contra pontes e usinas violam o direito internacional e podem configurar punição coletiva
O governo do Irã acusou os Estados Unidos de tentar normalizar crimes de guerra ao ameaçar ataques contra pontes, usinas de energia e outras estruturas civis iranianas. Segundo a agência Prensa Latina, Teerã sustenta que uma ofensiva dessa natureza violaria o direito internacional e poderia configurar punição coletiva.Play Video
A denúncia foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, em comunicado divulgado na sexta-feira (24). Ele afirmou que ordens superiores não eliminam a responsabilidade individual de quem participa de operações militares consideradas ilegais.
“As ordens emitidas por altos funcionários dos EUA não isentam os responsáveis por crimes de guerra de sua responsabilidade criminal”, enfatizou Baghaei.
O porta-voz acusou Washington de colocar seus objetivos militares acima das normas humanitárias. Na avaliação do governo iraniano, ameaças dirigidas deliberadamente contra instalações de uso civil enfraquecem as regras destinadas a proteger a população durante conflitos armados.
Baghaei ressaltou que pontes e centrais elétricas são infraestruturas essenciais para o funcionamento das cidades e para a prestação de serviços básicos. Por isso, advertiu que ataques contra esses alvos podem representar uma violação do direito internacional.
Segundo o diplomata, operações dessa natureza teriam caráter retaliatório e atingiriam coletivamente a população iraniana. Ele classificou a punição coletiva como uma prática expressamente proibida e afirmou que os responsáveis poderiam responder criminalmente tanto pelas normas internacionais quanto pela legislação dos próprios Estados Unidos.
Ameaças de Trump elevam tensão no Estreito de Ormuz
A manifestação de Teerã ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar bombardear pontes, usinas de energia e outras estruturas iranianas. O republicano vinculou a possibilidade de novos ataques a eventuais ações do Irã contra navios ou contra o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
A passagem marítima tem importância estratégica para o comércio internacional de petróleo e permanece no centro das tensões entre Washington e Teerã. A ameaça de atingir instalações civis ampliou o confronto diplomático e levou o governo iraniano a enquadrar a retórica norte-americana como uma tentativa de legitimar antecipadamente possíveis violações das regras de guerra.
Trump anunciou em 8 de julho o encerramento do cessar-fogo previsto no memorando de entendimento firmado com o Irã em 18 de junho. A ruptura do acordo voltou a elevar o risco de confrontos e abriu espaço para novas advertências militares entre os dois países.
Com o comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano procurou responsabilizar previamente autoridades e militares norte-americanos por eventuais ataques contra alvos civis. Teerã sustenta que a execução de ordens superiores não poderia ser utilizada como justificativa jurídica caso as ameaças fossem concretizadas.