Houthis cumprem a promessa e atacam petroleiros sauditas: abre-se uma nova frente de guerra no Médio Oriente
Navios ‘Encelia’ e ‘Layla’ foram atacados por alegadamente terem ignorado os avisos emitidos pelos houthis, que classificaram a operação como uma ação militar de “alta qualidade”
Os houthis reivindicaram esta quinta-feira um ataque com drones e mísseis contra dois petroleiros sauditas que navegavam no estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, abrindo uma nova frente no conflito regional que envolve o Irão, os Estados Unidos e vários aliados de Washington. A informação foi avançada pelo ‘El Confidencial’, que cita um comunicado da milícia iemenita.
Segundo os rebeldes, os navios ‘Encelia’ e ‘Layla’ foram atacados por alegadamente terem ignorado os avisos emitidos pelos houthis, que classificaram a operação como uma ação militar de “alta qualidade”.
O ataque acontece poucos dias depois de o grupo anunciar um bloqueio marítimo a embarcações ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho, uma rota estratégica por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo mundial e uma parte significativa das exportações globais de petróleo.
A importância desta via aumentou depois de o Irão ter encerrado o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques americanos, obrigando muitas rotas comerciais a recorrerem ao corredor de Bab el-Mandeb.
A escalada militar teve reflexos imediatos nos mercados internacionais, com o preço do barril de petróleo Brent a aproximar-se dos 98 dólares, após uma subida superior a 4% durante a sessão de quinta-feira.
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O ataque surge também um dia depois de Washington e Riade terem assinado um acordo que permitirá à Arábia Saudita desenvolver um programa nuclear civil. Os houthis, apoiados pelo Irão, mantêm uma rivalidade histórica com o reino saudita, contra o qual travam um conflito há vários anos.
Segundo o ‘El Confidencial’, esta é a confrontação mais séria entre a Arábia Saudita e os houthis desde o início do processo de aproximação patrocinado pelas Nações Unidas em 2022, que reduziu significativamente os ataques transfronteiriços, embora nunca tenha resultado num acordo de paz definitivo.
Entretanto, vários países, entre os quais a Turquia, condenaram o bloqueio marítimo anunciado pelos houthis, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou que responderá caso a milícia cumpra as suas ameaças de impedir a navegação no Mar Vermelho.
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No terreno, os combates entre Washington e Teerão continuam a intensificar-se. A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um pacote de cerca de 1,15 biliões de dólares (cerca de 980 mil milhões de euros) destinado a financiar o esforço militar contra o Irão, numa altura em que prosseguem os ataques aéreos americanos e os bombardeamentos iranianos contra interesses aliados dos Estados Unidos na região.
Apesar de um memorando de entendimento assinado em junho para tentar estabilizar a situação e reabrir o Estreito de Ormuz, a trégua colapsou nas últimas semanas e os confrontos têm vindo a alargar-se a infraestruturas civis e a novas frentes de combate, aumentando o receio de uma escalada regional de maiores dimensões.
Por Francisco Laranjeira