Fim da “taxa das blusinhas” pode ameaçar 109 mil empregos, aponta CNI
Com o retorno das discussões no Congresso, entidade também aponta que a extinção do Imposto de Importação no Programa Remessa Conforme coloca em risco R$ 21,8 bilhões em produção das empresas domésticas
A retirada do Imposto de Importação (II) sobre compras internacionais de até US$ 50 pode provocar impactos relevantes sobre a produção e o mercado de trabalho brasileiro, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade estima que, somente em 2026, a manutenção do fim da chamada “taxa das blusinhas” poderá colocar em risco R$ 21,8 bilhões em produção doméstica e 109 mil postos de trabalho.
A taxa vigorou por quase dois anos e foi extinta pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril de 2026. Para a CNI, o aumento das importações favorecido pela mudança reduz espaço para a produção nacional, especialmente para a indústria de transformação.
Segundo a entidade, para cada R$ 1 adicional em produtos importados por meio do Programa Remessa Conforme (PRC), são deixados de gerar aproximadamente R$ 3,11 em produção dentro do país. Desse total, R$ 2,21 correspondem à indústria de transformação.
O levantamento também aponta forte crescimento das compras internacionais. A estimativa é de que o PRC movimente 249,5 milhões de remessas em 2026, no valor de US$ 4,6 bilhões. Na comparação com 2025, os números representam altas de 56,3% no volume de encomendas e 65,7% no valor movimentado.
A CNI ressalta, porém, que parte desse avanço ocorreria mesmo com a manutenção da tributação. Antes da mudança, a entidade projetava crescimento de 22,1% no número de remessas e de 16,2% no valor movimentado. O fim do imposto, segundo a análise, acrescentaria outros 28% no volume de encomendas e cerca de 42% no valor das importações.
Para a indústria, o cenário reforça a preocupação com a concorrência entre produtos importados e nacionais. A avaliação da CNI é de que a ampliação das compras estrangeiras sem a cobrança do imposto pode afetar a atividade produtiva e, consequentemente, a geração de empregos no país.
Governo acelera análise da MP
Enquanto os impactos econômicos são debatidos, o governo federal tenta acelerar a tramitação da Medida Provisória (MP) que extinguiu o imposto. A discussão, inicialmente prevista para a próxima semana, foi antecipada para esta sexta-feira (28), quando também deverá ser definido o relator.
A expectativa é que o parecer seja votado na terça-feira (1º). A MP precisa ser aprovada até 8 de setembro para não perder a validade.
As negociações ganharam força após reunião entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. O governo aposta na aprovação da medida, considerada popular entre consumidores que realizam compras em plataformas internacionais.