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EUA desafiam Irã e dizem que tráfego segue aberto em Ormuz


Centcom contesta bloqueio anunciado por Teerã, reforça presença militar e promete assegurar a navegação no estreito


Os Estados Unidos contestaram neste domingo (12) a tentativa iraniana de interromper a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O Comando Central estadunidense (Centcom) afirmou que navios comerciais continuam atravessando a passagem estratégica e declarou que suas forças estão prontas para manter a rota internacional em funcionamento.
Segundo comunicado divulgado pelo Centcom na rede social X, o Irã não exerce controle sobre a passagem marítima. A instituição também informou que a rota ao sul do estreito permanece disponível para o tráfego nos dois sentidos, embora mantenha o nível de ameaça regional classificado como severo.
“O Estreito de Ormuz está aberto a todos os navios que buscam transitar legalmente pela via navegável internacional. As forças dos EUA estão posicionadas e preparadas para garantir que a liberdade de navegação permaneça disponível, apesar da agressão iraniana injustificada, assédio, ameaças e declarações arbitrárias. O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo”, afirmou o Centcom.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou a versão militar durante entrevista ao programa Meet the Press, da emissora NBC. Trump declarou que o corredor marítimo segue aberto à navegação comercial, mesmo diante da nova rodada de ataques entre Washington e Teerã.
A manifestação norte-americana ocorreu após a Guarda Revolucionária do Irã anunciar outro fechamento do Estreito de Ormuz. A força iraniana também confirmou que realizou disparos de advertência contra embarcações que, segundo Teerã, tentaram cruzar a área sem autorização.
“Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida”, declarou a Guarda Revolucionária.
Na mesma nota, a organização militar iraniana afirmou: “O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar”.
A divergência entre os dois países mantém uma situação de incerteza na rota que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Enquanto Washington sustenta que existe uma faixa segura para o transporte marítimo, Teerã afirma que pode impedir a passagem de navios durante as operações norte-americanas.
O Centcom já havia informado, em junho, que dezenas de embarcações comerciais cruzaram a região por uma rota designada. Em 7 de julho, o comando anunciou ataques contra mais de 80 alvos iranianos como resposta a ações contra navios comerciais.

Ataque atinge embarcação perto de Omã


A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um ataque ocorreu neste domingo a cerca de 17 quilômetros a leste da Península de Musandam, território de Omã localizado junto ao estreito.
A ação provocou um incêndio a bordo do GFS Galaxy e levou a tripulação a abandonar o navio em um bote salva-vidas. Autoridades de Omã resgataram 23 tripulantes e continuaram as buscas por uma pessoa desaparecida.
As condições de navegação permanecem perigosas mesmo nas áreas onde o tráfego continua ativo. O Centro Conjunto de Informações Marítimas orientou as tripulações a manter atenção às comunicações por rádio, ao risco de minas e às possíveis interferências em sistemas de localização.
O órgão acrescentou que nenhuma autoridade controla legalmente o acesso à rota sul ou pode exigir pagamentos para permitir a travessia. O Comando Naval das Forças Centrais dos EUA também classificou Ormuz como uma passagem internacional que não deve ficar sob coerção exclusiva de qualquer país.

Irã amplia ataques no Golfo Pérsico


A crise ganhou uma nova dimensão depois que o Irã anunciou ataques contra instalações ligadas aos Estados Unidos em quatro países do Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária declarou que atingiu um centro de comando e hangares de drones na Jordânia, um radar norte-americano no Kuwait e estruturas de apoio naval em Omã.
A força iraniana também afirmou que destruiu uma instalação de manutenção de aeronaves e um centro de comando no Catar.
O governo catariano confirmou a interceptação de mísseis e informou que estilhaços feriram três pessoas, entre elas uma criança. Doha condenou a ofensiva de Teerã e classificou os ataques contra países vizinhos como uma “grave escalada que complica os esforços para conter as tensões na região”.
Na Jordânia, a agência estatal de notícias informou que três mísseis lançados do território iraniano causaram danos materiais leves, sem registro de vítimas.
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos chegaram a anunciar que seus sistemas de defesa haviam interceptado mísseis e drones provenientes do Irã. Mais tarde, o governo informou que as ameaças detectadas estavam fora das fronteiras do país. Sirenes de alerta também soaram no Bahrein.


Estados Unidos atacam alvos iranianos


A escalada ocorreu após o Centcom afirmar que atingiu 140 instalações militares iranianas no sábado (11). Segundo o comando, as forças norte-americanas atacaram mais de 300 alvos ao longo de três noites de bombardeios.
Washington declarou que as operações buscavam reduzir a capacidade iraniana de atingir marinheiros civis e embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
“O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço”, escreveu o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, na rede social X.
A imprensa estatal iraniana registrou explosões em Bandar Abbas, Sirik, Jask e na ilha de Qeshm, todas no sul do país. Também houve relatos de ataques na província do Khuzistão, situada na fronteira com o Iraque.
As agências iranianas Mehr e Tasnim informaram que um militar morreu durante a ofensiva norte-americana.
“O tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha das Forças Armadas da República Islâmica, foi martirizado durante o ataque terrorista criminoso realizado ontem à noite pelos Estados Unidos ao porto de Jask”, declarou uma autoridade local citada pelas agências.


Negociações enfrentam novo impasse


O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, pediu que Estados Unidos e Irã “exerçam moderação”. Islamabad participa dos esforços diplomáticos para conter a guerra.
Antes da rodada mais recente de ataques, representantes do Irã e de Omã discutiram a navegação em Ormuz com a participação de uma delegação do Catar. Os dois países costeiros defenderam negociações políticas, técnicas e jurídicas sobre a segurança marítima.
Autoridades diplomáticas iranianas afirmaram que “os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros”.
Segundo o comunicado, Irã e Omã “concordaram em continuar as discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação no Estreito”.
Washington e Teerã assinaram em 17 de junho um memorando de entendimento associado a um cessar-fogo. O documento estabeleceu um prazo de 60 dias para que os dois governos buscassem uma solução para o conflito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a declarar em 8 de julho que o acordo havia “acabado”. Um dia antes, forças norte-americanas bombardearam alvos no Irã após acusarem Teerã de atacar três navios comerciais em Ormuz.
A tensão aumentou após o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmar que a “vingança” pela morte de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, era “inevitável”. Os Estados Unidos e Israel mataram o antigo líder iraniano no começo da guerra.
O confronto direto entre Washington e Teerã mantém o Estreito de Ormuz sob forte risco
militar. Embora embarcações ainda atravessem uma rota ao sul, ataques, disparos de advertência e ameaças de bloqueio ampliam a insegurança em uma das principais passagens comerciais e energéticas do mundo.

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