Brasileiros com maior instrução estão cansados da polarização política
Pesquisa BTG/Nexus mostra que 52% dos brasileiros com ensino superior se dizem cansados ou desconfortáveis com a divisão política, percentual superior ao registrado entre eleitores com menor escolaridade
A polarização política provoca maior cansaço e desconforto entre os brasileiros com nível superior de escolaridade. Pesquisa BTG/Nexus mostra que 52% dos entrevistados desse grupo manifestam incômodo com a divisão política do país, enquanto o percentual é menor entre os eleitores com ensino médio e fundamental.
Os dados foram divulgados pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, e apontam diferenças significativas na forma como a polarização é percebida de acordo com o grau de instrução. No conjunto da população, 36% afirmam estar cansados ou desconfortáveis com o ambiente polarizado.
Escolaridade amplia percepção da polarização
Entre os brasileiros com ensino superior, 52% afirmam estar cansados ou desconfortáveis com a polarização política.
O percentual cai para 33% entre os eleitores com até o ensino médio e chega a 28% entre aqueles com ensino fundamental.
Os resultados sugerem que o grau de escolaridade está associado a diferenças importantes na percepção sobre o ambiente político.
No conjunto dos entrevistados, 36% manifestam cansaço ou desconforto diante da polarização. Outros 15% dizem se sentir confortáveis com a situação e 14% afirmam ser indiferentes.
A pesquisa também perguntou sobre a percepção da influência da polarização no processo eleitoral. Entre os brasileiros com maior escolaridade, 16% afirmam não perceber impacto. Entre aqueles com menor nível de instrução, o percentual dos que não identificam influência chega a 30%.
Consumo de notícias pode ajudar a explicar diferença
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, relaciona a diferença entre os grupos, entre outros fatores, à intensidade do consumo de informações.
Segundo a análise apresentada, os eleitores com maior escolaridade tendem a acompanhar mais notícias e redes sociais. Essa maior exposição ao noticiário e ao debate público pode ampliar a percepção sobre os conflitos políticos e, consequentemente, o desgaste provocado pela polarização.
Entre os brasileiros com menor escolaridade, questões práticas e problemas cotidianos tenderiam a ocupar parcela maior da atenção, fazendo com que a polarização política tenha peso relativamente menor em sua percepção.
Os resultados revelam, assim, que a divisão política não é experimentada da mesma maneira pelos diferentes segmentos da sociedade brasileira.
Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro
O levantamento também mediu as intenções de voto para a eleição presidencial.
No cenário de primeiro turno informado pela pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, Lula registra 47%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 44%.
A diferença é de três pontos percentuais, diante de uma margem de erro geral de dois pontos para mais ou para menos.
Os números eleitorais ajudam a contextualizar a discussão sobre polarização captada pelo levantamento: ao mesmo tempo em que parcela significativa dos brasileiros manifesta desconforto com a divisão política, a disputa presidencial apresentada pela pesquisa permanece concentrada entre candidaturas situadas em campos políticos adversários.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros
A pesquisa BTG/Nexus entrevistou 2.001 brasileiros por telefone entre os dias 7 e 9 de agosto.
A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O recorte por escolaridade mostra uma diferença expressiva na percepção do ambiente político: enquanto mais da metade dos brasileiros com ensino superior relata cansaço ou desconforto com a polarização, esse sentimento atinge menos de um terço entre aqueles com ensino fundamental.