A Polícia Federal investiga se imóveis utilizados pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), podem ter sido concedidos como vantagem indevida em um suposto esquema envolvendo contratos firmados com o governo estadual.
Entre os imóveis sob apuração está uma casa de luxo em Petrópolis, na Região Serrana. A propriedade está registrada em nome de uma mulher que é sócia do empresário Luiz Fernando Gomes, proprietário da Engeprat Engenharia e Serviços. A empresa possui contratos com o governo do estado que, somados, ultrapassam R$ 350 milhões. Desse montante, cerca de R$ 50 milhões teriam sido contratados sem licitação.
A residência foi alvo de uma operação de busca e apreensão nesta sexta-feira (14/08), durante a segunda fase da Operação Sem Refino. O imóvel fica em um condomínio de alto padrão na região da Fazenda Inglesa, onde há cerca de 20 casas. As propriedades do local são avaliadas em mais de R$ 2 milhões.
Segundo a investigação, Castro teria frequentado a casa, inclusive durante fins de semana. A PF também apura se o ex-governador acompanhou ou participou de intervenções realizadas no imóvel. Entre as reformas investigadas está a instalação de uma adega.
Os investigadores tentam esclarecer se o uso da residência por Castro tinha alguma relação com os contratos milionários mantidos pela Engeprat com o governo estadual e se a proximidade entre o ex-governador e o empresário resultou em algum tipo de favorecimento.
Outro imóvel analisado pela PF é a cobertura onde Castro vive com a família, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. O aluguel da propriedade também entrou no radar da investigação.
Nesse caso, a polícia apura uma possível relação entre a utilização do apartamento e benefícios que teriam sido concedidos à empresa de José Mauro de Farias Júnior, ex-policial federal e ex-secretário estadual de Transformação Digital, ligada à propriedade.
A segunda fase da Operação Sem Refino também investiga suspeitas de favorecimento à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, por agentes públicos. Para avançar nas apurações, a PF analisou o celular de Cláudio Castro, apreendido durante a primeira etapa da operação.
Os investigadores avaliam se havia uma relação de proximidade entre o ex-governador e integrantes do grupo empresarial ligado à refinaria. A suspeita é de que, embora Castro não atuasse diretamente na concessão de licenças ambientais à Refit, sua influência teria contribuído para criar um ambiente favorável aos interesses da empresa dentro de órgãos do governo estadual.
A PF aponta o então secretário estadual de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e o ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Bussière, como responsáveis pela atuação direta em favor da refinaria.
Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou qualquer envolvimento do ex-governador em irregularidades relacionadas à Refit. Os advogados também afirmaram que o imóvel de Petrópolis alvo das buscas não possui qualquer ligação com Castro há meses.
A defesa declarou ainda que não teve acesso ao conteúdo integral da investigação e aguarda o recebimento das informações para apresentar uma manifestação mais detalhada.
Bernardo Rossi também negou irregularidades e afirmou que sua passagem pela Secretaria de Estado de Ambiente ocorreu dentro da legalidade, com decisões baseadas em critérios técnicos. O ex-secretário disse confiar na Justiça.