Operação Metástase apreende Jaguar com R$ 4,6 milhões em medicamentos contra câncer roubados e mira esquema ligado ao TCP no Rio
A Polícia Civil deflagrou na terça-feira (21) a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa especializada no roubo e na distribuição ilegal de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor. Um dos principais alvos da ação, Stefano Montovani Fernandes, foi preso em Santo André (SP). Na casa dele, os agentes apreenderam um Jaguar que armazenava medicamentos avaliados em R$ 4,6 milhões, roubados duas semanas antes em Santo Antônio de Posse (SP).
Segundo as investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), Stefano é apontado como líder do esquema, que teria movimentado cerca de R$ 33 milhões em um ano. A quadrilha atuava em quatro estados e contava com apoio da facção Terceiro Comando Puro (TCP), responsável pelo suporte territorial e pela proteção dos criminosos.
No Rio de Janeiro, a operação teve como principal foco o Complexo da Maré, na Zona Norte, apontado como ponto de armazenamento, fracionamento e redistribuição das cargas roubadas. Durante a ação, houve confronto entre policiais e criminosos, com intenso tiroteio e barricadas em chamas. Na Baixada Fluminense, equipes também cumpriram mandados contra suspeitos ligados ao esquema.
Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão em endereços do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de veículos de luxo, imóveis e outros bens ligados aos investigados.
De acordo com a polícia, o grupo roubava cargas destinadas principalmente a tratamentos contra o câncer e doenças imunológicas, muitas vezes usando armas de alto poder de fogo. Os medicamentos eram retirados das transportadoras, levados para comunidades dominadas pelo TCP e depois inseridos novamente no mercado por meio de empresas de fachada.
As investigações apontam que pelo menos 40 roubos semelhantes foram praticados nos últimos seis meses. Cerca de 25 empresas fictícias, distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, seriam utilizadas para ocultar a origem dos produtos e negociar com hospitais públicos e privados.
A Polícia Civil alerta que o esquema representa uma ameaça à saúde pública, já que medicamentos desse tipo precisam de armazenamento adequado. Condições inadequadas de transporte podem comprometer a eficácia dos produtos e prejudicar diretamente pacientes que dependem desses tratamentos.