Lula visita centro nuclear da Marinha e destaca avanço de projeto estratégico para o Brasil

Presidente conheceu instalações do Centro Industrial Nuclear de Aramar, em São Paulo, onde são desenvolvidas tecnologias ligadas ao Programa Nuclear da Marinha e ao futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, no interior de São Paulo, uma das principais instalações do programa brasileiro de desenvolvimento de tecnologia nuclear.

Durante a visita, Lula acompanhou o andamento de projetos estratégicos conduzidos pela Marinha do Brasil, especialmente os trabalhos relacionados ao desenvolvimento da planta nuclear que deverá ser utilizada no futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear.

A agenda contou também com autoridades do governo federal e representantes da Marinha.

O que é o Centro de Aramar

O Centro Industrial Nuclear de Aramar é uma instalação tecnológica da Marinha dedicada ao desenvolvimento do Programa Nuclear da Marinha.

O trabalho realizado no complexo envolve uma área considerada estratégica para o país: o domínio de tecnologias relacionadas ao ciclo do combustível nuclear e à geração de energia por meio de um reator desenvolvido no Brasil.

Uma das estruturas mais importantes instaladas em Aramar é o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene).

De maneira simples, o Labgene deverá permitir testar, em terra, sistemas semelhantes aos que futuramente serão empregados na propulsão do submarino nuclear brasileiro.

Antes de colocar uma tecnologia dessa complexidade dentro de uma embarcação, portanto, equipamentos e sistemas precisam ser desenvolvidos, integrados e avaliados em ambiente controlado.

É justamente aí que Aramar assume importância estratégica.

Por que o Brasil quer um submarino nuclear?

O projeto brasileiro não prevê um submarino equipado com armas nucleares.

Essa diferença é importante.

O objetivo é desenvolver uma embarcação movida por propulsão nuclear. Em vez de utilizar apenas sistemas convencionais para produzir a energia necessária à navegação, o submarino terá um reator nuclear como fonte de energia.

A principal vantagem está na autonomia.

Submarinos convencionais precisam emergir ou se aproximar periodicamente da superfície para determinadas operações relacionadas ao funcionamento e recarga de seus sistemas. Uma embarcação de propulsão nuclear consegue permanecer submersa durante períodos muito maiores.

Para um país com a dimensão marítima do Brasil, essa capacidade é considerada estratégica para a defesa.

Proteção da chamada Amazônia Azul

O Brasil possui uma extensa área marítima sob sua jurisdição, frequentemente chamada pela Marinha de Amazônia Azul.

É nessa região que estão rotas comerciais, recursos naturais, instalações estratégicas e parte importante das reservas brasileiras de petróleo e gás.

A capacidade de acompanhar e proteger esse território marítimo é um dos argumentos apresentados para justificar o desenvolvimento de submarinos mais modernos e com maior autonomia.

O futuro submarino nuclear brasileiro recebeu o nome de Álvaro Alberto, homenagem ao almirante e cientista brasileiro considerado um dos pioneiros da política nuclear do país.

Tecnologia desenvolvida no Brasil

O Programa Nuclear da Marinha também possui importância tecnológica porque envolve conhecimentos que podem produzir efeitos para além da área militar.

O domínio do ciclo do combustível nuclear, da engenharia de reatores, de sistemas de controle e de materiais especiais exige formação de pesquisadores, engenheiros e técnicos altamente especializados.

Esse conhecimento contribui para ampliar a autonomia tecnológica brasileira em um setor dominado por poucos países.

A visita presidencial a Aramar ocorre justamente em um momento em que o governo federal tem colocado a soberania nacional e tecnológica entre os temas de sua agenda pública.

Projeto atravessa diferentes governos

O Programa Nuclear da Marinha não nasceu no atual governo.

Sua história remonta à década de 1970 e atravessou diferentes administrações federais, períodos de restrições orçamentárias e mudanças na política de defesa brasileira.

A continuidade do projeto ao longo de décadas demonstra também uma característica particular: programas dessa complexidade não pertencem a um único governo.

São projetos de Estado.

O desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear exige investimentos prolongados, domínio científico, infraestrutura industrial e formação de profissionais durante várias gerações.

Brasil busca integrar grupo restrito de países

O domínio da propulsão nuclear para submarinos permanece concentrado em um grupo pequeno de nações.

A conclusão do programa colocará o Brasil em uma posição tecnológica diferenciada no cenário internacional, principalmente pela capacidade de desenvolver parte significativa dessa tecnologia dentro do próprio país.

Ao acompanhar os trabalhos em Aramar, Lula reforçou a defesa de investimentos brasileiros em ciência, tecnologia, indústria e defesa como instrumentos de soberania.

A visita também coloca novamente sob os holofotes um projeto pouco conhecido por grande parte da população, mas desenvolvido há décadas nos bastidores da pesquisa científica e militar brasileira.

Mais do que a construção de uma embarcação, o programa representa uma tentativa de o Brasil dominar uma das tecnologias mais complexas da indústria contemporânea.

Fonte: Presidência da República / transmissão oficial da visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar e informações públicas sobre o Programa Nuclear da Marinha.

Álvaro AlbertoAmazônia AzulAramarCentro Industrial Nuclear de Aramarciência e tecnologiadefesa nacionalenergia nucleargoverno federalindústria de defesaIperóLabgeneLuiz Inácio Lula da SilvaLulaMarinha do BrasilPrograma Nuclear da MarinhaProsubsoberania nacionalsubmarino de propulsão nuclearsubmarino nuclear brasileirotecnologia nuclear
Comments (0)
Add Comment