Mobilização reúne centrais trabalhistas diante do avanço dos débitos e da inadimplência entre quase 6 milhões de pessoas
Centrais sindicais e organizações sociais da Argentina marcham nesta quinta-feira (20), em Buenos Aires, contra a dívida familiar e o avanço da inadimplência entre quase 6 milhões de pessoas. A mobilização reúne trabalhadores diante da expansão dos débitos e segue em direção ao Ministério da Economia, segundo informações da Prensa Latina.Play Video
Convocado por entidades filiadas à Confederação Geral do Trabalho (CGT) e pelas duas Centrais de Trabalhadores da Argentina (CTA), o protesto também conta com a participação do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Popular (UTEP) e de dezenas de movimentos sociais. Os manifestantes voltam a ocupar a Avenida de Mayo e a Praça de Mayo, duas áreas centrais da capital argentina.
Empréstimos financiam despesas essenciais
O chamado divulgado pelas organizações apresenta como principal motivo da marcha o “endividamento excessivo das famílias e a inadimplência recorde que afeta quase seis milhões de pessoas na Argentina”.
Segundo os sindicatos, o agravamento do problema está relacionado ao uso crescente de crédito para financiar necessidades essenciais. As entidades afirmam que a maior parte dos empréstimos não foi contratada para aquisição de bens ou realização de investimentos, mas para garantir a sobrevivência cotidiana.
Alimentação, contas de serviços, aluguel e medicamentos estão entre as despesas cobertas com dinheiro emprestado. Os recursos são obtidos em bancos e carteiras virtuais, que, conforme ressaltaram as organizações, cobram taxas de juros muito elevadas.
O quadro apresentado pelas centrais mostra que o crédito passou a funcionar como uma forma de complementar a renda familiar. Ao mesmo tempo, os juros aumentam o peso das parcelas e ampliam o risco de atraso nos pagamentos, alimentando a inadimplência denunciada pelos manifestantes.
Entidades responsabilizam políticas de Milei
Representantes da CGT, das duas CTAs e da UTEP confirmaram a mobilização durante uma entrevista coletiva realizada na sede da principal confederação sindical argentina. O ato integra uma estratégia conjunta de continuidade das medidas de força e dos planos de luta formulados pelas organizações desde junho.
“Essa mobilização faz parte do plano de ação que os sindicatos vêm executando em conjunto para denunciar o impacto das políticas econômicas do governo Javier Milei”, afirmaram as entidades.
A manifestação em frente ao Ministério da Economia reforça a unidade entre diferentes setores do movimento sindical e das organizações sociais. O eixo da mobilização está concentrado nas consequências concretas da situação econômica sobre a renda e a capacidade das famílias de arcar com gastos indispensáveis.
Ao destacar que os empréstimos estão sendo usados para alimentação, moradia, serviços e remédios, as entidades procuram demonstrar que o avanço do endividamento não decorre predominantemente do consumo de bens ou de projetos de investimento.
Plano conjunto de mobilizações
A participação simultânea da CGT, das duas CTAs e da UTEP amplia o alcance político e social do protesto. As organizações indicaram que pretendem manter a atuação conjunta nas próximas medidas previstas pelo plano iniciado em junho.
A marcha desta quinta-feira (20) também consolida a Avenida de Mayo e a Praça de Mayo como pontos centrais das manifestações contra as medidas econômicas do governo. O destino do ato, o Ministério da Economia, reforça a cobrança direta sobre a condução da política econômica argentina.
As entidades relacionam o crescimento da inadimplência à dificuldade de financiar despesas básicas com a renda disponível. Nesse contexto, bancos e plataformas financeiras digitais passaram a ocupar papel relevante na oferta de crédito às famílias, ainda que sob juros considerados excessivos pelos organizadores do protesto.
Catadores também protestaram na capital
A nova mobilização ocorre depois de uma marcha promovida pelo sindicato dos catadores de materiais recicláveis das cooperativas de Buenos Aires. O ato anterior teve como destino a Secretaria de Higiene Urbana e reivindicou a manutenção do atual sistema de recuperação de resíduos da cidade.
Os trabalhadores defendem o modelo por seu papel na inclusão social e sustentam que a permanência das cooperativas é essencial para preservar os postos de trabalho. Segundo os manifestantes, a segurança profissional de 6.500 pessoas está ameaçada após duas décadas de atuação no setor.
O sindicato dos catadores de papelão alertou que o governo municipal estaria avançando com uma licitação destinada a privatizar o sistema. Na avaliação da entidade, a mudança pode provocar o encerramento das cooperativas responsáveis pelo trabalho de recuperação de resíduos na capital argentina.
A marcha contra o endividamento e o protesto dos catadores evidenciam a ampliação das mobilizações trabalhistas em Buenos Aires, com reivindicações relacionadas à renda, ao emprego e à continuidade de políticas de inclusão social.