Médicos anunciaram dois novos casos de remissão sustentada do HIV, elevando para 13 o número de pacientes que permanecem sem o vírus detectável após interromper o uso de antirretrovirais. Os resultados serão apresentados na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, no Rio de Janeiro.
Um dos pacientes, conhecido como “paciente de Kansas City”, está há 14 meses sem tratamento. O outro, que também tinha hepatite B, completou 12 meses sem medicamentos contra o HIV e continua sem carga viral detectável.
Os dois passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue. Em ambos os casos, os doadores possuíam a mutação genética CCR5-delta32, que dificulta a entrada do HIV nas células de defesa. Após o transplante e a suspensão dos remédios, exames não encontraram vírus capaz de voltar a se multiplicar.
Apesar dos resultados, especialistas evitam falar em cura definitiva. O infectologista Ricardo Diaz, da Unifesp, afirma que o termo mais adequado é “remissão sustentada”, já que ainda não existe um exame capaz de comprovar a eliminação total do vírus do organismo. O acompanhamento dos pacientes continuará por vários anos.
Os transplantes não são considerados um tratamento para o HIV, pois apresentam riscos elevados e são indicados apenas para pessoas com leucemia, linfoma ou outras doenças hematológicas graves. Atualmente, pesquisadores buscam alternativas mais seguras, como terapias genéticas, anticorpos e medicamentos capazes de controlar ou eliminar os reservatórios do vírus. Até que essas estratégias se tornem viáveis, os antirretrovirais seguem sendo a forma mais eficaz de controlar o HIV e impedir sua transmissão sexual.
Por Redação