Como Cuidar da Sua Tela de Pintura?
Imagine uma tela completamente em branco.
Ela ainda não possui cores, formas ou paisagens. Tudo o que existe é um enorme potencial esperando pelas primeiras pinceladas.
Assim também acontece com uma criança.
Quando um filho nasce, sua história começa a ser pintada dia após dia. Cada abraço, cada conversa, cada limite, cada exemplo e cada demonstração de carinho deixam marcas que ajudam a construir a pessoa que ele será no futuro.
Ao longo da vida, muitas pessoas participarão dessa obra: avós, professores, amigos, familiares e a própria sociedade. Mas as primeiras pinceladas pertencem à família. E elas costumam ser as mais profundas.
Depois de tantos anos convivendo com crianças, aprendi que elas observam muito mais do que imaginamos.
Elas percebem quando um adulto trata alguém com respeito.
Percebem quando alguém mente.
Percebem quando um pedido de desculpas é sincero.
E também percebem quando um erro é escondido.
É por isso que educar não significa convencer uma criança a fazer o que é certo. Significa mostrar, todos os dias, como se faz o que é certo.
Os filhos aprendem muito mais com o exemplo do que com os discursos.
Quando uma criança erra, nosso primeiro impulso costuma ser defendê-la. Afinal, ninguém gosta de ver um filho triste. Mas existe uma diferença importante entre acolher e justificar.
Acolher é ajudar a criança a enfrentar as consequências dos próprios atos.
Justificar é ensinar, sem perceber, que sempre haverá alguém para resolver seus problemas.
Errar faz parte do crescimento. O que realmente forma o caráter é aprender a reconhecer o erro, pedir desculpas quando necessário e procurar agir melhor na próxima oportunidade.
Outro valor que merece atenção é a honestidade.
Certa vez, durante uma conversa em sala de aula, fiz uma pergunta aparentemente simples:
— O que vocês fariam se encontrassem um celular perdido?
Fiquei surpresa com a resposta da maioria.
Várias crianças disseram que a primeira coisa seria retirar o chip do aparelho.
Naquele instante percebi que ensinar honestidade não é apenas dizer “não pegue o que não é seu”. É conversar sobre situações reais da vida.
Quem perdeu aquele celular?
Como essa pessoa está se sentindo?
Será que não existe alguém esperando uma ligação importante?
Devolver aquilo que encontramos pode parecer um gesto pequeno, mas revela um coração grande.
Os valores não aparecem de repente quando a criança se torna adulta.
Eles são construídos nas pequenas decisões do cotidiano: devolver um brinquedo emprestado, admitir um erro, respeitar uma fila, falar a verdade mesmo quando ela parece mais difícil.
É assim que a tela vai ganhando suas cores.
Com paciência.
Com tempo.
Com presença.
E, principalmente, com bons exemplos.
No futuro, talvez seu filho não se lembre de todas as palavras que você disse.
Mas certamente carregará para a vida a forma como viu você viver.
Como dizia Pitágoras:
“Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”
Que possamos pintar essa obra com as cores da honestidade, do respeito e do amor.
Micheli Faria
Professora, jornalista e incentivadora de leitura.
Achei seu artigo bom, um pouco óbvio para ser mais franco, seria interessante fazer um outro artigo para complementar esse, tipo: 5 dicas para reparar um relacionamento estremecido