O seu canal de Noticias

“TRUMP ESTÁ MAIS ORGANIZADO E COM INTENÇÕES AINDA MAIS AUTORITÁRIAS”, DIZ SAUL LEVIN

Saul Levin, ativista e diretor de políticas do Red New Deal, alerta sobre os riscos de um segundo governo Trump

Em entrevista ao programa Globalistas, da TV 247, o ativista sindical e diretor de campanhas e políticas públicas do Red New Deal, Saul Levin, fez uma análise contundente sobre a ascensão de Donald Trump e os desafios enfrentados pela esquerda americana. Levin, que também integra os Socialistas Democratas da América (DSA), afirmou que Trump retorna à política mais preparado e com planos explícitos de ampliar o autoritarismo.

“Desta vez, ele está mais organizado e com intenções ainda mais autoritárias. Trump quer aumentar os poderes presidenciais e enfraquecer o Congresso, algo que ele já vinha tentando, mas agora está muito mais bem estruturado para isso”, destacou Levin.

A entrevista, mediada pelo apresentador Brian Mier, trouxe reflexões sobre a política interna dos EUA, os erros do Partido Democrata e a necessidade de estratégias efetivas para resistir aos retrocessos que podem ser impostos por um novo governo republicano.

A erosão das bases trabalhadoras

Levin apontou que a falta de conexão dos democratas com as pautas trabalhistas contribuiu para sua derrota em estados decisivos. “O Partido Democrata abandonou as pautas de classe há décadas. Substituiu propostas concretas por gestos simbólicos, como pedir desculpas públicas pela escravidão, mas sem oferecer mudanças reais que impactem a vida de trabalhadores negros, latinos e brancos da classe operária”, afirmou.

Segundo o ativista, essa estratégia tem alienado diversos grupos demográficos, como latinos e homens afro-americanos. “Há anos os democratas apostam que o crescimento demográfico de latinos em estados como o Texas garantirá suas vitórias futuras, mas não apresentam políticas concretas para essas comunidades. Sem isso, perdem espaço até para a retórica racista de Trump”, explicou Levin.

O medo como ferramenta política

O ativista destacou como os republicanos utilizam o medo para dividir a população e desviar o foco de questões centrais. “Eles criam narrativas de que imigrantes vão roubar empregos e que a diversidade cultural ameaça o estilo de vida americano, enquanto aprovam legislações que só favorecem os bilionários e grandes corporações. É uma estratégia poderosa e perigosa”, disse Levin.

Brian complementou com um panorama histórico, lembrando que divisões semelhantes foram criadas no início do século 20 entre imigrantes europeus. “Agora, as mesmas elites utilizam esse padrão para dividir latinos e outras minorias, enfraquecendo sua unidade política.”

Medidas urgentes antes da posse

Levin apresentou uma iniciativa liderada por sua organização, chamada Cada Dia Conta, que pressiona o governo Biden e o Senado Democrata a adotar medidas concretas antes de uma possível posse de Trump.

“Ainda temos um Senado democrata e um presidente democrata. Eles podem proteger parques naturais, regular monopólios agrícolas, confirmar juízes progressistas e cancelar projetos de combustíveis fósseis. O tempo é curto, mas essas ações podem mitigar os danos futuros”, destacou. Ele criticou, no entanto, a lentidão e a falta de vontade política de Biden e seus aliados.

“Os democratas controlam o calendário do Senado, mas preferem encerrar as sessões para sair de férias, enquanto questões urgentes como a nomeação de 47 juízes permanecem paradas. Isso é uma emergência, mas não há senso de urgência no partido”, afirmou Levin.

Reorganização da esquerda

A entrevista também abordou os dilemas da esquerda nos EUA. Levin reconheceu as dificuldades de construir alternativas fora do Partido Democrata, mas defendeu a necessidade de ampliar o poder da esquerda dentro do partido enquanto se organizam novos movimentos. “O sistema bipartidário nos EUA facilita o domínio de extremistas de direita, mas não podemos ignorar que há uma base progressista dentro do Partido Democrata que pode ser mobilizada.”

Ele destacou o papel de sindicatos como o United Auto Workers (UAW) e o Starbucks Workers United no fortalecimento da resistência. “Esses sindicatos estão na linha de frente para organizar trabalhadores e pressionar por mudanças. É uma luta difícil, mas necessária.”

Conclusão: ação e esperança

Levin encerrou sua participação com um chamado à ação: “Precisamos construir um movimento político mais autossuficiente, que não dependa de doações de grandes fundações que frequentemente enfraquecem os movimentos sociais. É hora de pensar em estratégias novas, baseadas na organização de base e na independência financeira.”

A entrevista no programa Globalistas, da TV 247, foi um alerta sobre os desafios impostos pela nova ascensão de Trump e um apelo para que a esquerda americana não perca tempo em sua reorganização. “A luta será longa, mas é possível vencer se estivermos preparados”, concluiu Levin. Assista:  

Por Brasil 247

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.