Casa foi encontrada com imagens quebradas, objetos sagrados destruídos e itens furtados. Caso é investigado e será levado à Decradi.
Uma mãe de santo denuncia que o seu terreiro de umbanda foi invadido, vandalizado e furtado em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. O caso foi descoberto por fiéis que chegaram ao local na manhã do dia 22 de julho.
De acordo com o relato da mãe de santo Valéria d’Obaluaê, os integrantes da casa encontraram imagens religiosas destruídas, objetos sagrados revirados e diversos itens desaparecidos.
“O primeiro impacto foi de choque. Uma filha da casa chegou para limpar o terreiro e ficou parada por cinco minutos, horrorizada, olhando para tudo aquilo”, contou.
Entre os danos, estavam a imagem de Ogum, que ficava na entrada do espaço, destruída, fundamentos religiosos quebrados, imagens de entidades reviradas, assentamentos violados e objetos usados nos rituais espalhados pelo chão. Pedras utilizadas nos assentamentos desapareceram, assim como algumas bebidas que estavam no terreiro.
Segundo a responsável, o fundamento dedicado a Iansã também sumiu e ainda não se sabe se foi levado ou destruído.
Ela afirma que o local já apresentava sinais de invasões anteriores, mas de forma menos evidente.
“A gente já vinha sofrendo ataques menores. Encontrávamos lixo na porta, percebíamos que tinham mexido na porteira e, depois de algumas giras, vimos cartas e búzios espalhados. Achávamos que podia ter sido um animal ou alguma brincadeira, e deixávamos passar. Até que dessa vez destruíram tudo.”
O terreiro funciona no local desde maio de 2024. O imóvel fica em um terreno amplo e uma das laterais tem um buraco no muro, o que pode ter facilitado a entrada dos invasores. A dirigente afirma que não há câmeras de segurança porque a casa não tem recursos para manter o sistema.
Ela registrou um boletim de ocorrência na delegacia de Guaratiba e informou que também pretende formalizar uma denúncia na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
A responsável acredita que o episódio representa mais do que um prejuízo material.
“O material a gente consegue comprar de novo. O que dói é ver o nosso sagrado violado. Mexeram naquilo que representa a nossa fé. É uma dor que não tem como mensurar.”
Após o ataque, ela retirou do terreiro as imagens que permaneceram intactas por medo de uma nova invasão.
Para a dirigente, episódios como esse mostram que praticantes de religiões de matriz africana continuam vulneráveis, apesar da existência de leis que combatem a intolerância religiosa.
“Sempre somos nós que sofremos esses ataques. A sensação é de vulnerabilidade. Parece que as leis existem, mas ainda não são suficientes. Isso mexe com o psicológico, com o emocional. Você abre a porta do seu templo e encontra tudo destruído. É muito difícil.”
A Polícia Civil investiga o caso.
Por Thaís Espírito Santo, g1 Rio