PF INFILTRADO VAZAVA INFORMAÇÕES SOBRE A SEGURANÇA DE LULA

A Polícia Federal (PF) identificou que um de seus agentes atuou de forma infiltrada para repassar informações sigilosas sobre a segurança do então presidente eleito Lula (PT) a aliados de Jair Bolsonaro (PL). Segundo a investigação, Wladimir Matos Soares, que foi preso em novembro de 2024, forneceu detalhes sobre a estrutura de proteção de Lula em áudios enviados a Sérgio Rocha Cordeiro, capitão da reserva do Exército e assessor de Bolsonaro na época. A existência do material foi revelada em um relatório da PF sobre a tentativa de golpe de Estado.

Segundo Fabio Serapião, do Metrópoles, as mensagens obtidas pela PF são datadas de 13 de dezembro de 2022, um dia após a diplomação de Lula. Em um dos áudios, Wladimir informa a Cordeiro sobre a presença de quatro homens não identificados em um hotel ligado ao esquema de segurança presidencial. “Tô aqui na coordenação desse evento, de posse. Vim pras fixas dos hotéis coordenando isso aqui. Aí o gerente ligou dizendo que esses caras entraram, tá no nome de Misael, essa reserva aí, que entraram quatro caras que não quiseram se identificar, dizendo ser polícia federal, aquela coisa toda”, diz o agente.

A investigação aponta que a referência a “Misael” é sobre Misael Melo da Silva, integrante da estrutura pessoal de Lula. Wladimir também encaminhou a Cordeiro uma imagem da CNH de Misael e, em seguida, mandou um novo áudio relatando que o nome pertencia a um membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ele ainda menciona que o Comando de Operações Táticas (COT) da PF estava mobilizado para proteger Lula, especialmente após a tentativa de invasão da sede da corporação em Brasília.

Apoio ao golpe e monitoramento de Lula

Os áudios revelam que Wladimir demonstrava adesão às intenções golpistas. Em um trecho, ele afirma: “vamo torcer, meu irmão. Tamo aqui nessa torcida. Essa porra tem que virar logo. Não dá pra continuar desse jeito não, irmão. Vamo nessa. Eu tô pronto”. A PF aponta que suas mensagens eram “enfáticas” ao demonstrar apoio à tentativa de ruptura institucional em curso naquele momento.

Em outra mensagem, enviada em 20 de dezembro de 2022, o agente reforça seu alinhamento ao grupo golpista: “Eu e minha equipe estamos com todo equipamento pronto p ir ajudar a defender o Palácio e o Presidente. Basta a canetada sair!” Segundo a PF, a frase indica a disposição de Wladimir em participar ativamente de uma eventual tentativa de tomada do poder.

A corporação conclui que o agente se aproveitou de sua posição estratégica entre a diplomação e a posse do governo eleito para fornecer dados sensíveis sobre a segurança presidencial a pessoas ligadas a Bolsonaro, contribuindo diretamente para o planejamento da intentona golpista.

Denúncia contra Bolsonaro e aliados

A descoberta do envolvimento de Wladimir Matos Soares integra o conjunto de provas que fundamentam a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra 34 pessoas pelo crime de tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Entre os denunciados estão Bolsonaro, seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o ex-ministro Walter Braga Netto e o próprio Wladimir Matos Soares.

A PGR sustenta que os denunciados agiram de forma coordenada para subverter a ordem democrática e impedir a posse de Lula, valendo-se de redes de desinformação, militares aliados e agentes infiltrados. 

por Guilherme Levorato – 247

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