Orquestra Sinfônica da UFRJ apresenta Missa São Francisco de Paula, de Henrique Alves de Mesquita, no Centro do Rio

Com entrada franca, a apresentação celebra os 275 anos da Venerável Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula. A obra é de grande importância para o universo musical erudito e religioso

A Missa São Francisco de Paula, de Henrique Alves de Mesquita, será a atração da 102ª temporada da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A apresentação, com entrada franca, acontece no dia 18 de agosto, às 18h, na Igreja de São Francisco de Paula, no Centro do Rio.
De grande importância para o universo musical erudito, a obra foi reencontrada nos arquivos da Venerável Ordem de São Francisco de Paula. O concerto celebra os 275 anos da Venerável Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula e conta com o apoio da Sérgio Castro Imóveis, do Diário do Rio e da Academia Brasileira de Música. A entrada é franca.

A Missa São Francisco de Paula foi composta, em 1867, para a festa do padroeiro da Venerável Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula. A estreia aconteceu em 5 de maio do mesmo ano em cerimônia solene na Igreja de São Francisco de Paula, sob a regência do compositor França Júnior (1838-1890).

O último registro de uma execução aparece em 14 de abril de 1912, sob a regência do maestro Francisco Braga. Ao longo do tempo, a obra caiu no esquecimento. Mas a colaboração entre várias instituições permitiu o retorno da obra ao repertório. A partitura original, de 1867, foi reencontrada quando Daisy Ketzer e Júlio Sperber, sob a coordenação do Padre Álvaro Inácio, organizavam o arquivo da Venerável Ordem.

A digitalização do material manuscrito ficou a cargo da Academia Brasileira de Música. A edição foi preparada pela Música Brasilis. A união entre as universidades federais do Rio de Janeiro e de Juiz de Fora, sob a regência do maestro Victor Cassemiro, permitiu que a Missa São Francisco de Paula voltasse a ser executada no Igreja para o qual foi composta.

Henrique Alves de Mesquita

Nascido em 15 de março de 1830, Henrique Alves de Mesquita formou-se pelo Conservatório de Música em 1856, na classe de composição do italiano Gioacchino Giannini (1817-1860). Na ocasião, foi o primeiro aluno a ganhar o prêmio de Viagem à Europa, com bolsa do governo imperial.

Em 1857, ingressou na classe de harmonia de François-Emmanuel-Joseph Bazin, no Conservatório de Paris, capital onde apresentou a sua primeira ópera: Une nuit au chateau (Uma noite no castelo), e fez sucesso com uma quadrilha chamada Soirée brésilienne.

A ópera O Vagabundo foi representada em 24 de outubro de 1863. Ainda em Paris, um incidente o levou à prisão e fez com que perdesse a pensão, o que o obrigou a retornar ao Brasil, em 1866. No Rio, atuou como trompetista na orquestra do Alcazar Lírico. Em 1869, começou a trabalhar como regente da orquestra do Teatro Fênix Dramática.

Henrique Mesquita é considerado o precursor do tango brasileiro, ao assim designar sua composição Olhos matadores, de 1871. No ano seguinte, tornou-se organista da Igreja de São Pedro e professor do Conservatório de Música, que após o golpe da República, foi transformado no Instituto Nacional de Música, e pelo qual se aposentou, em 1904. Entre seus alunos ilustres estão Joaquim Antônio da Silva Callado e Anacleto de Medeiros.

Como compositor, Mesquita tem obras de muito sucesso, como Trunfo às avessas (1871), Ali Babá (1872) e A coroa de Carlos Magno (1873). Também compôs modinhas, canções, lundus e uma série de outras obras, sobretudo para para piano. Foi uma figura importante e admirada por vários músicos e artistas, entre os quais Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth.

Henrique Alves de Mesquita faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de julho de 1906.

SERVIÇO

Dia 18 de agosto de 2026, terça-feira, às 18 horas

Igreja de São Francisco de Paula

Largo de São Francisco s/n, Rio de janeiro – RJ

Entrada franca

PROGRAMA

1- Henrique Alves de MESQUITA (1830-1906) – Missa São Francisco de Paula (1867)

I. Kyrie (Largo) Coro

II. Gloria (Allegro risoluto / Allegro non molto) Coro

Et in terra pax (Moderato) Barítono solo

Gloria (Tempo primo / Presto) Coro

III. Laudamus (Cantabile) Soprano solo

IV. Gratias (Moderato assai) Coro

V. Domine Deus (Maestoso lento / Andantino / Vivace) Trio S. T. B.

VI. Qui tollis (Andante / Allegro agitato / Tempo primo) Duo T. B.

VII. Qui sedes (Andante mosso) Barítono solo

Quonian (Allegro non tanto) Barítono solo e Coro

VIII. Cum Sancto Spiritu (Moderato assai / Allegro risoluto / Fugato: Allegro non molto / Presto / Prestíssimo) Coro

Solistas:

Lígia Ishitani (soprano)

Rodrigo Barcelos (tenor)

Iago Cirino (barítono)

Coro Sacra Vox (Direção de Valéria Matos)

Coro de Câmara Henrique Alves de Mesquita (Direção de Victor Cassemiro)


VICTOR CASSEMIRO

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação Profissional em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROMUS/UFRJ), o maestro Victor Cassemiro cursa atualmente o doutorado pela Universidade de São Paulo (EACH-USP). Suas pesquisas de mestrado e doutorado tem como tema a vida e a obra do importante compositor brasileiro do século XIX, Henrique Alves de Mesquita. Atua como maestro coral e orquestral junto ao Coral Benedictus da Arquidiocese de Juiz de Fora, Coral Cesama, Coral São Mateus, Coral Pró-Música/UFJF e Coro de Câmara Henrique Alves de Mesquita e a Orquestra Sinfônica Pró-Música/UFJF. Foi professor substituto das disciplinas de Canto Coral e Regência no Departamento de Música do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora (IAD-UFJF). Entre seus trabalhos de maior relevância, se destaca a edição dos manuscritos da ópera Uma Noite no Castelo, de Henrique Alves de Mesquita, bem como a montagem da obra em sua reestreia no século XXI, realizada com solistas e a Orquestra Acadêmica da UFJF.

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