A indústria naval volta a ganhar força em Niterói com a construção de quatro navios e a previsão de geração de até 1,5 mil empregos. O novo ciclo reforça a importância histórica da cidade para o setor e reacende a expectativa de trabalhadores, estaleiros e empresas da cadeia produtiva.
O projeto prevê a construção de quatro embarcações da classe Handy, utilizadas no transporte de cargas pela costa brasileira. O consórcio formado pela Ecovix, de Rio Grande (RS), e pela Mac Laren, de Niterói, foi selecionado no processo de aquisição dos navios para a Transpetro. Cada embarcação terá capacidade entre 15 mil e 18 mil toneladas de porte bruto, com valor de US$ 69,5 milhões por unidade.
Além da produção dos navios, a iniciativa deve impulsionar diversos segmentos ligados à economia do mar. A expectativa é de aumento na demanda por engenheiros, soldadores, técnicos, metalúrgicos, operadores e prestadores de serviço, além de movimentar fornecedores de peças, logística, alimentação, manutenção, hotelaria e comércio.
A retomada também fortalece os estaleiros da cidade, que durante décadas foram responsáveis pela geração de empregos e pela formação de mão de obra especializada. Para trabalhadores que buscam recolocação no setor, o novo cenário representa uma oportunidade de retorno à atividade.
A Prefeitura de Niterói considera a indústria naval estratégica para a geração de emprego e renda. Entre as ações previstas estão programas de qualificação profissional, articulação com estaleiros e investimentos em infraestrutura.
Um dos principais projetos é a dragagem do Canal de São Lourenço, na Baía de Guanabara. Com investimento previsto de R$ 140 milhões, a obra pretende ampliar a profundidade do canal para permitir a navegação de embarcações de maior porte até o Complexo Naval e Portuário de Niterói, aumentando a competitividade da cidade para receber novos contratos.
Outra frente considerada essencial é a capacitação de trabalhadores. A administração municipal discute a criação de uma escola de soldadores e programas de formação técnica na região da Ponta da Areia, em parceria com a Firjan, para atender à demanda dos estaleiros.
A retomada da construção naval faz parte de um movimento nacional de renovação da frota da Petrobras e da Transpetro. Com tradição no setor, infraestrutura portuária e mão de obra especializada, Niterói busca consolidar esse novo ciclo como uma oportunidade de crescimento econômico, geração de empregos e fortalecimento da economia do mar.