Infantino enfrenta crise na FIFA e pode cair após fracasso de plano de venda da Copa do Mundo para parentes de Trump

Infantino enfrenta crise na FIFA e pode cair após fracasso de plano de venda da Copa do Mundo para parentes de Trump

Presidente da entidade sofre forte desgaste político depois que proposta de abrir participação comercial do principal torneio do futebol mundial foi rejeitada e provocou rebelião liderada pela UEFA

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, atravessa um dos momentos mais delicados de sua gestão após o fracasso de sua tentativa de criar uma nova estrutura comercial para a Copa do Mundo com participação de investidores privados. Segundo a Reuters, a proposta enfrentou forte resistência de federações e dirigentes, acabou sendo abandonada e desencadeou uma crise política que pode comprometer as chances de reeleição de Infantino no pleito previsto para março.Play Video

O projeto previa a criação de uma entidade comercial responsável pelos direitos da Copa do Mundo, com a venda de cerca de 20% de participação a investidores privados. A iniciativa, porém, foi considerada excessivamente divisiva e acabou provocando uma reação sem precedentes dentro da estrutura do futebol internacional.

UEFA lidera reação contra a FIFA

O principal foco de oposição veio da UEFA, que decidiu boicotar eventos organizados pela FIFA enquanto o projeto não fosse definitivamente retirado de pauta. A medida aprofundou o isolamento político de Infantino e evidenciou o desgaste de sua relação com as principais federações nacionais e continentais.

A resistência europeia foi decisiva para inviabilizar o plano. Muitos dirigentes argumentaram que a abertura da exploração comercial da Copa do Mundo para investidores privados representaria uma mudança estrutural capaz de reduzir o controle das associações nacionais sobre o principal ativo do futebol mundial.

Reeleição passa a ser colocada em dúvida

Até pouco tempo atrás, Infantino era considerado favorito para permanecer à frente da FIFA. O fracasso da proposta, entretanto, alterou significativamente o cenário político dentro da entidade.

Nos bastidores, dirigentes passaram a questionar sua capacidade de liderança e sua condução das negociações. Cresce também a expectativa de que novos candidatos possam surgir para disputar a presidência da organização.

Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que o dirigente precisará reconstruir pontes com federações que romperam politicamente com sua gestão caso pretenda manter viável sua candidatura.

Renúncias expõem crise interna

A turbulência também atingiu a própria estrutura administrativa da FIFA.

Um dos casos mais emblemáticos foi a saída de Carlos Cordeiro, considerado um aliado próximo de Infantino. Ao deixar sua função, Cordeiro classificou o projeto como “ruim para o futebol”, ampliando a percepção de isolamento do presidente.

Além das renúncias, funcionários da entidade afirmaram que foram surpreendidos pela proposta e alegaram não terem sido adequadamente informados sobre os detalhes das negociações, aumentando o clima de desconfiança dentro da organização.

Estilo de liderança amplia desgaste

A crise atual também reacendeu críticas ao estilo de gestão de Infantino.

Nos últimos anos, o dirigente acumulou decisões controversas, incluindo sua condução da Copa do Mundo do Catar, alvo de críticas internacionais relacionadas a direitos humanos e condições de trabalho.

Segundo observadores do futebol internacional, a postura centralizadora adotada pelo presidente contribuiu para reduzir sua capacidade de construir consensos em temas considerados estratégicos para o futuro da FIFA.

Vazamentos comprometeram o projeto

Outro fator decisivo para o fracasso da iniciativa foi o vazamento precoce dos detalhes da proposta.

As informações revelaram que o plano envolvia investidores privados, entre eles Joshua Kushner, empresário americano ligado à família do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A divulgação antecipada do projeto aumentou a resistência das federações antes mesmo que houvesse um debate formal sobre a iniciativa.

Relação com Trump gera questionamentos

A proximidade entre Infantino e Donald Trump também voltou ao centro das discussões.

Ao longo dos últimos anos, os dois mantiveram uma relação pública relativamente próxima, incluindo eventos oficiais e homenagens promovidas pela FIFA.

Embora Trump tenha afirmado não ter participado das negociações nem discutido o projeto com Infantino, a ligação entre ambos alimentou críticas sobre uma possível influência política em decisões estratégicas da entidade máxima do futebol.

Futuro depende de reconciliação

Apesar do desgaste, analistas avaliam que Infantino ainda possui espaço para tentar reverter a crise.

Para isso, será necessário reconstruir a confiança das principais confederações, abandonar definitivamente propostas que dividem o futebol internacional e adotar uma postura mais conciliadora diante dos dirigentes que hoje lideram a oposição à sua gestão.

O episódio representa um dos maiores desafios políticos enfrentados por Infantino desde que assumiu a presidência da FIFA e pode redefinir a disputa pelo comando da entidade nos próximos meses.

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