Espanha x Argentina: como são escolhidos os uniformes dos finalistas da Copa do Mundo

Processo começa 18 meses antes do torneio com reuniões com fornecedoras e seleções; equipes usarão suas camisas principais na decisão neste domingo

As seleções da Espanha e da Argentina entrarão em campo, neste domingo, no estádio de Nova York/Nova Jersey vestindo suas camisas mais tradicionais para decidirem quem será o campeão da Copa do Mundo de 2026. Parece óbvio, mas não é. É a conclusão de um processo que começou 18 meses atrás.

A Fifa, por padrão, determina que as duas seleções em campo precisam vestir uniformes que sejam totalmente contrastantes – do meião à camisa.

Por isso, desde o meio do ano passado, a diretoria de competições da entidade mantém reuniões com os principais fornecedores de material esportivo e com as seleções para monitorar a produção das peças que seriam utilizadas na Copa.

Trata-se de um cuidado não só para que jogadores e árbitros não se confundam, mas também para facilitar a vida de comentaristas, por exemplo, ou de pessoas daltônicas. Até mesmo o impedimento semiautomático é impactado por essa escolha.

E ainda é preciso respeitar tradições, diferenças culturais e prioridades de marketing.

– Nossa preparação começou há cerca de um ano e meio analisando as prévias dos designs dos kits, fazendo alinhamento com o regulamento e esclarecimento com fornecedoras – afirma Nick Thurston, gerente sênior de competições da Fifa, que também conta com a ajuda da diretoria de arbitragem nas avaliações.
Em novembro, as associações classificadas para a Copa e aquelas que ainda disputavam vagas precisaram enviar à Fifa um registro formal das cores dos uniformes, com um kit principal, um alternativo e, se desejar, um terceiro kit, além de três opções de camisas para goleiros. A regra é que eles sejam contrastantes, com uma opção “clara” e outra “escura”.

O Brasil enviou seu kit principal, com camisa amarela, shorts azuis e meias brancas, e o alternativo, camisa e shorts azul escuro, meias pretas.
Os kits foram respeitados na estreia, com o principal contra Marrocos, e no segundo jogo, com o reserva contra o Haiti. No duelo com a Escócia, a Fifa obrigou o Brasil a jogar de camisa amarelo e shorts branco para diferenciar dos shorts azuis da equipe europeia.

A camisa de goleiro deu confusão: o Brasil enviou à Fifa uma opção vermelha, que gerou polêmica e foi vetada pela CBF no ano passado, além de uma verde e outra lilás.

A vermelha era apenas para cumprir o regulamento da Fifa, já que, segundo a CBF, nunca foi produzida. A cor foi a escolhida para ser usada por Alisson contra a Escócia, mas acabou trocada pela verde.

Os critérios da Fifa também obrigaram Portugal e Croácia a jogarem com seus uniformes reservas quando se enfrentaram na segunda fase da Copa.
Em outras edições, a tradicional camisa quadriculada dos croatas era classificada como “clara”, o que permitiu que jogassem com ela a final da Copa de 2018, quando a França se vestiu de azul escuro.

Neste ano, a percepção mudou:
– Desta vez, os quadrados da camisa são menores e, portanto, a peça é considerada predominantemente vermelha – explica Thurston.
Contra Portugal, a escolha envolveu outro fatores. A Fifa evita combinações vermelho (camisa principal dos portugueses) e azul (camisa reserva croata) por gerar dificuldades para pessoas com deficiências de visão.
A solução foi todo mundo jogar com uniforme alternativo: Portugal de branco, Croácia de azul escuro.
Mas é preciso levar em consideração os pedidos das próprias seleções, com suas histórias e superstições.
O México, por exemplo, pediu para usar cada um de seus três uniformes na fase de grupos. O Canadá quis se vestir de preto nos mata-matas contra África do Sul e Marrocos.
Há quatro anos, a seleção francesa quis jogar a final contra a Argentina com o mesmo uniforme que tinha usado para bater a Croácia na decisão de 2018 – e não o tradicional “camisa azul, shorts brancos e meias vermelhas”. Em 2022, não funcionou, e o argentinos ficaram com a taça.
E tem a parte matemática: cada seleção traz um determinado número de peças, com algumas calculando até quatro camisas por atleta por partida, outras duas. É preciso fazer contas, já que a Fifa proíbe que uma camisa seja utilizada em partidas diferentes – já que elas recebem personalizações como patches e identificação de cada confronto.
– É sobre encontrar um equilíbrio entre o que é necessário para curtir ver o espetáculo de uma partida de futebol, as cores de cada equipe e outras considerações – conclui Thurston.


Por Leonardo Lourenço — Nova York, EUA

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